• Mil Folhas
  • Música Com Cabeça
  • Cine ou Sopas
deusmelivro
Indiana Jones e o Marcador do Destino, Indiana Jones, Deus Me Livro, Crítica, James Mangold
Cine ou Sopas 0

“Indiana Jones e o Marcador do Destino” | James Mangold

Por Pedro Soares · Em 25/07/2023

Já poucos acreditavam num quinto Indiana Jones com Harrison Ford, e outros tantos ficaram surpreendidos ao ver o actor, já octogenário (para ser mais preciso, com 77 anos, já que o filme começou a ser rodado há 3 anos atrás), regressar ao papel. Mas não eu! Afinal de contas, Spielberg, Lucas e o próprio Ford haviam prometido cinco filmes quando estrearam o primeiro, “Os Salteadores da Arca Perdida”, em 1981. E quanto a vocês não sei, mas a mim nunca me mentiram.

Seja como for, a estreia de um Indiana Jones é sempre um acontecimento. Ainda para mais quando é o último com Harrison Ford. E, por muito que nos custe a admitir, já sabemos que não vai saber ao mesmo. E nem é tanto por o filme ser melhor ou pior, antes porque os tempos são outros e até o próprio cinema é diferente. Já assim foi com o “Indiana Jones e o Reino das Caveiras de Cristal”, o quarto episódio, estreado vinte anos após “Indiana Jones e a Grande Cruzada”, quando já ninguém acreditava que Spielberg e Lucas cumprissem a promessa. Não era propriamente um mau filme – ou, pelo menos, não é pior (nem melhor) do que “Indiana Jones e o Templo Perdido” -, mas já não soube ao mesmo.

Indiana Jones e o Marcador do Destino, Indiana Jones, Deus Me Livro, Crítica, James Mangold

Ciente disso, o novo “Indiana Jones e o Marcador do Destino” aposta forte no factor nostalgia e entra a todo o gás, com um prólogo cheio de acção. Não há tempo para respirar e a nostalgia bate-nos de frente na cara e com força. Há Harrison Ford rejuvenescido digitalmente, há nazis e até Mads Mikkelsen, o novo vilão de serviço, que é tão parecido com Ronald Lacey que ficamos à espera que a sua cara comece a derreter a qualquer momento. Mais tarde, ainda haverá de aparecer John Rhys-Davies (e, que se lixem os spoilers, Karen Allen também), para que a trip pela memory lane seja total.

O prólogo deste Marcador do Destino passa-se em 1944, durante a retirada dos nazis, recriando o período pós “Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida”. E, para isso, foi preciso utilizar as novas tecnologias para tornar Harrison Ford novo outra vez. Quando as cenas de acção aceleram, o CGI ressente-se e, de repente, a viagem nostálgica torna-se numa espécie de viagem a bordo de comboio fantasma. Contudo, não deixa de ser uma questão interessante de abordar num filme que é, todo ele, sobre a passagem do tempo: o passado e, sobretudo, o futuro.

Indiana Jones e o Marcador do Destino, Indiana Jones, Deus Me Livro, Crítica, James Mangold

O prólogo serve para introduzir o Antikythera, uma relíquia inventada por Arquimedes na Grécia Antiga, que um físico nazi (Mikkelsen) acredita permitir controlar o tempo. Salta-se então para a actualidade, ou seja, para 1969 – o Homem acabou de regressar da sua curta caminhada na lua e, na rádio, ouve-se o Space Oddity de David Bowie. Indiana Jones está velho, a divorciar-se de Marion. O filho morreu no Vietname e Indy está quase, quase a reformar-se. O que não o impede de embarcar numa última aventura, depois de reencontrar a afilhada (óptima Phoebe Waller-Bridge) e o seu sidekick juvenil (Ethann Isidore, a piscar o olho ao Short Round), para tentar encontrar a segunda parte da tal traquitana de Arquimedes antes de os maus o fazerem.

“Indiana Jones e O Marcador do Destino” é sobretudo um filme de acção, montado na lógica do jogo do rato e do gato, que passa por Marrocos, Grécia (onde Antonio Banderas é um desaproveitado secundário de luxo) e Sicília. E, por isso, não conseguimos deixar de pensar constantemente que aquele diante de nós é um homem de 80 anos, a socar nazis, a saltar de tuk-tuks em movimento ou a mergulhar nas profundezas do Mediterrâneo. Falta-lhe uma maior noção do corpo, mas também é verdade que Indiana Jones nunca se distinguiu por pensar demasiado.

Indiana Jones e o Marcador do Destino, Indiana Jones, Deus Me Livro, Crítica, James Mangold

Certo é que a primeira metade do filme é eficiente. Primeiro, por cavalgar a onda da nostalgia de forma eficaz e, segundo, por introduzir Indiana Jones ao thriller político conspiratório dos anos 70, circa All The President’s Men. James Mangold, pela primeira vez a ocupar a cadeira de realizador deixada vaga por Steven Spielberg, parecia ser a pessoa certa para o lugar, depois de andar a brincar com um legado muito norte-americano (do western ao biopic de Johnny Cash) e com heróis na reforma (olá, Logan). No entanto, é sempre demasiado anónimo, um tarefeiro que se limita a montar as sequências de acção umas a seguir às outras, sem propriamente revelar grande inspiração.

O problema de “Indiana Jones e o O Marcador do Destino” começa sobretudo a partir do meio, ali depois da entrada em cena de Banderas, tornando-se cada vez mais musculado e com o argumento menos burilado, feito à base de coincidências e deuses ex-machina – sobretudo na personagem de Mads Mikkelsen, que nem se percebe muito bem como consegue acompanhar a perseguição aos nossos heróis. E depois há o final, com o seu paradoxo da predestinação, que vai fazer com que todos aqueles que detestaram os extraterrestres de “Indiana Jones e o Reino das Caveiras de Cristal” espumem ainda mais de ódio. Como alguém já disse, O Marcador do Destino não é um bom filme, mas também não há aqui exactamente nada para não se gostar. Mas, com um Double Cheeseburger, é claramente o menos conseguido dos cinco tomos da série.

(Crítica publicada originalmente em Royale with Cheese)

CríticaDeus Me LivroIndiana JonesIndiana Jones e o Marcador do DestinoJames Mangold

Pedro Soares

Pode Gostar de

  • ANIMAR, ANIMAR 21, ANIMAR 2026, Deus Me Livro, Cine ou Sopas

    Vila do Conde volta a ANIMAR-se em Março

  • Cine ou Sopas

    Há uma sala dedicada ao cinema português nas Amoreiras

  • Cine ou Sopas

    IndieJúnior faz 10 anos e já divulgou o programa de festas

Sem Comentários

Deixe uma opinião Cancelar

Siga-nos aqui

Follow @Deus_Me_Livro
Follow on Instagram

Fitas

  • ANIMAR, ANIMAR 21, ANIMAR 2026, Deus Me Livro,

    Vila do Conde volta a ANIMAR-se em Março

    22/02/2026
  • Há uma sala dedicada ao cinema português nas Amoreiras

    11/02/2026
  • IndieJúnior faz 10 anos e já divulgou o programa de festas

    16/01/2026
  • Father Mother Sister Brother, Pai Mãe Irmã Irmão, Jim Jarmusch, Adam Driver, Mayim Bialik, Tom Waits, Cate Blanchett, Vicky Krieps, Charlotte Rampling, Indya Moore, Luka Sabbat, Deus Me Livro,

    “Pai Mãe Irmã Irmão” | Jim Jarmusch

    29/12/2025
  • IndieJúnior Porto

    IndieJúnior Porto regressa em Janeiro e promete festa rija para a pequenada

    19/12/2025
Acha o Deus Me Livro diferente? CLIQUE AQUI.

Archives

  • March 2026
  • February 2026
  • January 2026
  • December 2025
  • November 2025
  • October 2025
  • September 2025
  • August 2025
  • July 2025
  • June 2025
  • May 2025
  • April 2025
  • March 2025
  • February 2025
  • January 2025
  • December 2024
  • November 2024
  • October 2024
  • September 2024
  • August 2024
  • July 2024
  • June 2024
  • May 2024
  • April 2024
  • March 2024
  • February 2024
  • January 2024
  • December 2023
  • November 2023
  • October 2023
  • September 2023
  • August 2023
  • July 2023
  • June 2023
  • May 2023
  • April 2023
  • March 2023
  • February 2023
  • January 2023
  • December 2022
  • November 2022
  • October 2022
  • September 2022
  • August 2022
  • July 2022
  • June 2022
  • May 2022
  • April 2022
  • March 2022
  • February 2022
  • January 2022
  • December 2021
  • November 2021
  • October 2021
  • September 2021
  • August 2021
  • July 2021
  • June 2021
  • May 2021
  • April 2021
  • March 2021
  • February 2021
  • January 2021
  • December 2020
  • November 2020
  • October 2020
  • September 2020
  • August 2020
  • July 2020
  • June 2020
  • May 2020
  • April 2020
  • March 2020
  • February 2020
  • January 2020
  • December 2019
  • November 2019
  • October 2019
  • September 2019
  • August 2019
  • July 2019
  • June 2019
  • May 2019
  • April 2019
  • March 2019
  • February 2019
  • January 2019
  • December 2018
  • November 2018
  • October 2018
  • September 2018
  • August 2018
  • July 2018
  • June 2018
  • May 2018
  • April 2018
  • March 2018
  • February 2018
  • January 2018
  • December 2017
  • November 2017
  • October 2017
  • September 2017
  • August 2017
  • July 2017
  • June 2017
  • May 2017
  • April 2017
  • March 2017
  • February 2017
  • January 2017
  • December 2016
  • November 2016
  • October 2016
  • September 2016
  • August 2016
  • July 2016
  • June 2016
  • May 2016
  • April 2016
  • March 2016
  • February 2016
  • January 2016
  • December 2015
  • November 2015
  • October 2015
  • September 2015
  • August 2015
  • July 2015
  • June 2015
  • May 2015
  • April 2015
  • March 2015
  • February 2015
  • January 2015
  • December 2014
  • November 2014
  • October 2014
  • September 2014
  • August 2014
  • July 2014
  • Contacto