De 10 a 18 de Outubro, Seia volta a ser o centro do Cinema Ambiental mundial. Este ano, o CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela apresenta uma selecção oficial de 81 longas, médias e curtas-metragens internacionais e em língua portuguesa de 31 países, propondo um mosaico cinematográfico rico e diversificado sobre os desafios ambientais contemporâneos.
Na Selecção Internacional de Longas-metragens serão apresentadas dez obras em estreia absoluta em Portugal, onde o factor humano é sempre determinante na investigação, observação ou vivência de uma dimensão da crise climática.
“White House Effect” (EUA), de Bonni Cohen, Pedro Kos e Jon Shenk, explora a história dramática da origem da crise climática e como uma batalha política no governo de George H.W. Bush mudou o curso da história. Na mesma linha de acção, “Black Snow” (EUA), de Alina Simone, está centrado numa eco-ativista siberiana, apelidada de “Erin Brockovich da Rússia”, que luta pela sua comunidade.
A comédia subtil “Climate in Therapy” (Suécia), de Nathan Grossman, Olof Berglind e Malin Olofsson, coloca sete cientistas do clima em terapia para lidar com as suas próprias emoções. Já o drama documental “A New Kind of Wilderness” (Noruega), de Silje Evensmo Jacobsen, acompanha uma família que procura uma existência livre e selvagem. O conto sombrio “Pet Farm” (Noruega), de Finn Walther e Martin A. Walther, aprofunda os laços afectivos com os animais. Essa relação também é observada em “Smell of Burnt Milk” (Alemanha), de Justine Bauer, uma meditação rural sobre o significado de ser um agricultor moderno, a feminilidade e a maternidade.
Os lugares mais marcantes desta programação surgem em “The Town That Drove Away” (Polónia), de Grzegorz Piekarsk, e Natalia Pietsch, filmado no Curdistão com os últimos residentes de uma cidade secular ameaçada quando o governo turco inunda as suas terras; “Katwe” (Uganda/Suécia), de Nima Shirali, filmado num lago de sal africano onde a extracção deixou de sustentar uma comunidade; e “After the Snowmelt” (Taiwan/Japão), de Yi-Shan Lo, que retrata uma trágica expedição nos Himalaias.
A Selecção Oficial Internacional fica completa com a longa-metragem animada “Angelo na Floresta Mágica” (França/Luxemburgo), de Alexis Ducord e Vincent Paronnaud, sobre um rapaz de dez anos que sonha tornar-se explorador e zoólogo.
Já na Selecção de Longas-metragens em Língua Portuguesa destaca-se a estreia nacional do documentário brasileiro “Tesouro Natterer”, de Renato Barbieri. Grande vencedor da edição 2024 do É Tudo Verdade, principal festival documental da América Latina, o filme narra a aventura desconhecida de um indigenista austríaco pela Amazónia no século XIX. O mesmo tema do olhar estrangeiro e exótico sobre a grande floresta brasileira retorna sob uma outra perspectiva no ensaístico e provocador “Não Haverá Mais História Sem Nós”, de Priscilla Brasil. A Amazónia também aparece na ficção “Enquanto o Céu Não Me Espera”, de Christiane Garcia. Protagonizado pela estrela brasileira Irandhir Santos, o filme narra o drama vivido pelas populações ribeirinhas com a perturbação do ciclo das chuvas causada pelas mudanças climáticas.
Da Amazónia, a competição em língua portuguesa segue para Luanda, onde o documentário “Linha de Água”, de Rui Simões, retrata o trabalho único do artista angolano Victor Gama, que une natureza e experimentação sonora. Já em Portugal, a realizadora Marta Pessoa faz um passeio estético e poético pelos jardins de Lisboa em “Isto Não é Um Jardim”. E a cineasta indiana Kopal Joshy vai até à Serra da Estrela, onde estabelece uma amizade inesperada e comovente com um antigo morador local no documentário “Somos Dois Abismos”.
Nesta selecção oficial do CineEco 2025, contamos ainda com a Competição de Curtas e Médias Metragens, tanto internacionais como de língua portuguesa. Nas internacionais, destaca-se a curta documental “A Qui Le Monde” (França), de Marina Russo Villani e Victor Missud, que teve a sua estreia nos Rencontres Internacionales de Paris e Berlim e ganhou o Green Festival Award deste ano. Já a produção luso-croata “That´s How I Love You”, de Mário Macedo, venceu o Grande Prémio do Curtas Vila do Conde do ano passado e “Pet Farm”, do norueguês Martin A. Walther, foi menção honrosa já este ano em Salónica, no Thessaloniki Film Festival. Já o multipremiado filme de terror de Gonçalo Almeida, “Atom & Void”, arrecadou o Méliès d’Argent deste ano no HÕFF – Haapsalu Horror and Fantasy Film Festival, na Estónia, e Menção Honrosa no Fantastic Fest, EUA, do ano passado. Quanto às curtas em língua portuguesa, destaque para as co-produções luso-brasileiras: “Enxofre”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes; “Tempo de Sorrir”, de Jonas Almeida Braga Amarante; e “Cantos da Metamorfose ou Aquela Vez em que Eu Encarnei Como Boto”, de Ainá Xisto.
A Secção Competitiva Panorama Regional, dedicada a filmes com narrativas centradas no território e na Serra da Estrela, conta este ano com as participações de “O Último Pastor de Sabugueiro”, de Laurène da Palma Cavaco, “O Incêndio”, de Joana Cabete, “Somos Dois Abismos”, de Kopal Joshy, “Talhados na Pedra”, de Tiago Cerveira, “Montaña Abaixo”, de Carlos Martínez-Peñalver Mas, e de “Porta-te Bem”, de Joana Alves.
Pela primeira vez, o CineEco inclui uma nova categoria na competição para Curtas-metragens de Ficção, Não Ficção e Animação, na qual concorrem 13 filmes de 12 países.
Além da competição oficial com mais de 80 filmes de 31 países, a 31ª edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela traz, este ano, uma programação extra-competição, que reforça o papel do cinema também como espaço de reflexão e debate inter-geracional. Revisitar momentos da memória colectiva, redimensionar a ideia de paisagem, desconstruir a visão antropocêntrica da vida na Terra, reflectir sobre a relação com os recursos hídricos, as economias ‘de afecto’, a identidade cultural e a herança de uma região são algumas das temáticas afloradas nas sessões especiais e de cinema clássico, que decorrem nos dias 13, 15, 16 e 17 de outubro, na Casa Municipal de Cultura em Seia.
Quatro documentários integram o ciclo Cinema em Debate, sessões especiais que irão contar com a participação de jovens alunos de várias escolas de Seia e que terão a oportunidade de reflectir e abordar diferentes visões que existem sobre a paisagem – seja esta selvagem, a hídrica, energética ou até cultural.
O CineEco irá evocar ainda os 50 anos da Reforma Agrária em Portugal, com uma dupla sessão de cinema clássico que revisita momentos marcantes da memória colectiva nacional. A 17 de Outubro, o auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia recebe dose dupla, com dois documentários rodados no Alentejo e no Ribatejo e que reflectem as dinâmicas populares e o processo criativo do cinema no período pós-revolucionário.











Sem Comentários