Já é conhecida a programação de Novembro da ZDB, o mais movimentado aquário musical de Lisboa. Ficam as apresentações, sempre com banda sonora.
QUARTA 4 / 21H
Mondo Negro x ZDB: Poison Ruïn ← Bated Breath
Em parceria com a Mondo Negro, e antes da vinda de Powerplant, a ZDB trilha caminhos adjacentes ao metal/punk com a aparição bem oportuna de Poison Ruïn. Sem quaisquer vokills ou tremolo picking que se oiçam, paira sobre a música do quarteto originário da Pennsylvania uma aura black metal que tanto se deixa assombrar pelo espectro de Venom como reconhece o balanço D-beat que acertou passou a Darkthrone a partir de The Cult Is Alive.
Banda de punk com músicas compostas e gravadas por uma pessoa, e tocadas ao vivo por cinco, Bated Breath é o resultado da vontade de fazer algo acontecer no meio da vida de adulto.
SEXTA 6 / 22H
Coelho Radioactivo apresenta ANTI-ONTEM ← Nuno Loureiro
Canções acústicas assombradas por sons que existem entre o nevoeiro e um desespero solitário, numa temperatura amena que impossibilita ouvir-se estes sons como sons de desespero. Coelho Radioactivo procurou algo absoluto no prolongamento da existência, da sua, das suas ideias, das suas canções. E conseguiu isso e algo mais neste “Anti-Ontem”.
Nuno Loureiro é um produtor, multi-instrumentista e artista sonoro do Porto. A sua insistência na experimentação com abordagens processuais faz com que o seu som esteja em constante evolução. Editou “Lua Onus” pela Superpang em 2023.
SEGUNDA 9 / 21H
Mondo Negro x ZDB: Powerplant ← Thee Seizures
Delírio nascido em Londres da mente do ucraniano Theo Zhykharyev que foi amealhando culto virtual ao longo dos anos e é hoje uma banda de pleno de direito. Recolhendo inspiração no Garage Punk dos Misfits, na facção gótica do post-punk, nas atmosferas húmidas da Dungeon Synth e, claro está, no Black Metal, Powerplant encarnam com uma boa onda e sem sobranceira as tropes de género, exultando no seu último álbum – “Bridge of Sacrifice” – as suas valências em malhas absolutamente memoráveis no corropio caleidoscópico.
Formados em 2023, os Thee Seizures surgiram como resposta ao panorama musical previsível dos dias de hoje. Com um pé firmemente assente no punk e o outro a explorar territórios psicadélicos, a dupla constrói um som explosivo, cru e experimental.
TERÇA 10 / 21H
keiyaA apresenta hooke’s law ← oseias.
Quando o sucesso finalmente chega e aumenta o número de possibilidades, quantos aguentam a pressão desse esticão? “hooke’s law”, o segundo álbum de keiyaA, é um conjunto de respostas e reflexões sobre essa questão, pensando de que formas a vida se altera e mantém a mesma quando se conquista a crítica, os seus pares e o mundo.
oseias. é produtor e DJ com base em Lisboa. Com uma ligação à música desde a infância, cresceu num ambiente artístico e começou a produzir as primeiras faixas desde muito cedo.
QUINTA 12 / 21H
Superfan apresenta My Piledriver Heart ← Feu St-Antoine
Kali Flanagan como Superfan murmura muito, o que não é novo, mas a sua voz em “My Piledriver Heart” ouve-se como um contínuo lamento, um que não encalha em becos e segue em frente, em modo carrossel, à procura de uma miragem de felicidade. “Joy” termina o álbum e não é um acaso. É mais um passo neste processo de amadurecimento.
Com o nome inspirado em casos históricos de alucinações em massa em aldeias francesas, a música de Feu St-Antoine escapa às classificações convencionais, recorrendo a um realismo misterioso para criar um universo sonoro surpreendente.
SÁBADO 14 / 22H
CCA x ZDB: Jejum#47 c/ Loke Rahbek & Frederik Valentin ← Merely & Niko Demus
A primeira colaboração de Loke Rahbek & Frederik Valentin viu a luz do dia em 2017 com o álbum “Buy Corals Online”. O seu trabalho anterior já os tinha consagrado como dois dos músicos mais empolgantes da Dinamarca no que diz respeito à música eletrónica experimental, power electronics e ambient. Com o passar do tempo, começaram a incorporar mais instrumentos analógicos — guitarra, viola, piano — nas suas produções (na sua maioria) de forma livre, conferindo-lhes um novo calor e uma sensação orgânica.
Se Merely e Niko Demus formam uma dupla artística feita no céu, então Wade, o projecto de estreia da dupla, é uma visão de como esse ‘céu’ se parece, soa e se faz sentir. A resposta é clara desde a primeira faixa até ao último momento: o céu é o mar azul profundo, onde dois viajantes encontram um belo refúgio.
TERÇA 17 / 21H
The Sleeves ← Brandini
O propósito é simples, nas canções de The Sleeves sentimos que há sempre algo por fazer e ambos os músicos são exímios a transmitir isso, pela forma como completam as ideias com algo inacabado. É música que diz tudo porque fica algo por dizer e que transmite que está tudo bem. Os The Sleeves são um belo compromisso do que fica no meio entre sugestão e a realização, com uma fabulosa calma, um relaxe que de facto relaxa. São o ASMR musicado que nunca esperaram ouvir.
Rente às fronteiras da MPB, dotado do arsenal analógico da indietrónica, Brandini trabalha por arranjos aromáticos e instrumentais que capacitam a representação imagética pela qual tem certo apreço. Numa história de amor entre soundscapes apocalípticos, há tempo para procura e redenção, identitária ou política, dependendo de quem as percepciona.
SEXTA 20 / 22H
Horse Jumper of Love ← Digital Device
Matéria de sonhos. A primeira coisa que vem à cabeça quando se ouve Horse Jumper Of Love pela primeira vez passa por aí. Foi assim com a estreia, álbum homónimo que este ano celebrou dez anos. Olha-se para o céu querendo que por lá exista uma ideia de não limite, fornecendo a única resposta satisfatória para o hoje. Dimitri deixa ideias em suspenso, tanto na escrita, como na forma como conduz a voz, libertando-a, por vezes, no ar, como se aquela ideia não tivesse fim, aquele sonho não pudesse acabar ou que o fim não tem de ser determinado pela ideia de fim.
Movendo-se entre momentos de intensidade crua, passagens atmosféricas e estruturas pouco convencionais, os Digital Device procuram equilibrar experimentação e acessibilidade, criando músicas que tanto podem explodir em distorção como revelar uma sensibilidade melódica imediata.
SÁBADO 21 / 22H
Cloud Nothings ← VEENHO
São as canções. Por mais paleio que se gaste a descortinar a progressão do grupo de Cleveland e as valências poéticas, harmónicas, formais açambarcadas e/ou perdidas ao longo de nove álbuns, é no rasto memorável da canção que perdura a essência dos Cloud Nothings. Antémicas, vividas com o coração na garganta e a urgência das palavras que daí se libertam, sem nunca cair na esparrela populista, mas talhadas para coro a plenos pulmões e lugar fixo num consciente colectivo indie.
VEENHO é uma banda de noise-pop que constrói colagens de baixa fidelidade marcadas pela tensão entre caos e melodia, barulho e harmonia. Entre guitarras distorcidas, solos intensos e letras emocionais e salvíficas, exploram novas abordagens ao indie rock enquanto honram o legado alternativo dos anos 90.
QUARTA 25 / 21H
Maria BC apresenta Marathon ← Tomé Capa
Ao terceiro álbum, Maria BC conseguiu reunir um sentimento de fragilidade com uma certeza dura, quase intransigente. As suas canções tanto são frágeis como assertivas. Sem que exista realmente um sentido de equilíbrio de forças, não é bem isso. É algo que surge por necessidade de olhar para o mundo, seja de uma forma micro, concentrada em si, ou macro, deslocada para uma ideia de controlo das máquinas, pouco ligada à ficção científica.
A prática criativa de Tomé Capa abrange várias disciplinas artísticas: instalação, design, cenografia, performance, ilustração e desenho, edição e escrita, fotografia, vídeo e música. Uma característica recorrente no seu trabalho artístico é a interatividade com o público.
QUINTA 26 / 21H
TRAVO apresentam Wasteland
Os Travo apresentam aqui o novíssimo “Wasteland”, disco que amplifica as projecções estelares de “Astromorph Gods” a um ponto de fusão onde os leads de guitarra expansivos, ritmos galopantes, cascatas de fuzz, passagens espectrais de sintetizador, delírios de wah wah, ecos e melodias vocais entre o berro e a memorabilia 70s se cristalizam num baque tão físico na sua musculatura sónica quanto aberto para devaneios mentais.
SEXTA 27 / 22H
ZDB e Super Bock apresentam Super Ballet: The Ex ← Y/Compound ← Rita Vozone
Com Terrie Ex como elemento fundador de corpo presente até aos dias de hoje, The Ex regressam ao Aquário com a mesma formação sedimentada em 2009, com Katherina Bornefeld, Andy Moor e Arnold de Boer numa engrenagem precisa de 3 guitarras, bateria e voz. Alinhados com um activismo político ferozmente independente, sem cedências ao fundamentalismo agitprop, reflectem na sua música uma voracidade e sentimento de descoberta que transpõe as trincheiras militantes do punk mais tacanho e percepciona o Mundo como esfera de influência.
Y/COMPOUND é a materialização de uma estrutura musical livre e imprevisível, assente em ritmos afro-brasileiros. Cada músico, em diálogo com o sax tenor de Ravenna Escaleira, desenvolve a partir da sua própria linguagem um encontro – não uma execução, mas uma construção conjunta.
Rita Vozone (Lisboa) é coleccionadora e sloppy DJ ocasional, desde há 20 anos para cá. Os sets da Rita costumam ser uma desarrumação, na qual cabem sons antigos, novos e de muitos mundos.
DOMINGO 29 / 19H
Cancer House
“The Moth”, o álbum de estreia dos Cancer House, faz lembrar “Spiderland” dos Slint. Para lá da estética, do som, do género. Os instrumentos estão arrumados, tudo acontece no momento certo. Existe rigor. Contudo, o que se manifesta com superioridade é a exaltação de que o que se está a ouvir não poderia existir de outra forma. Qualquer peça fora do sítio causaria um sentimento de deslocação, de desarrumado.











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