“Oh, Não, Mãe! Que Distraída!” (Nuvem de Letras, 2026) é um álbum ilustrado que acompanha a história de Olívia, Heitor e a mãe (de ambos) numa ida de comboio. A mãe, determinada a chegar cedo e a evitar correrias, parece ter tudo sob controlo, mas nem tudo corre como o planeado. Rapidamente a viagem transforma-se numa verdadeira corrida contra o tempo: primeiro falta o telefone, depois a carteira e, pouco depois, surgem novas dúvidas e ainda mais contratempos. Entre táxis, desvios inesperados e encontros com pessoas disponíveis para ajudar, aquilo que deveria ser uma simples deslocação torna-se uma aventura familiar cheia de peripécias.

O que torna a narrativa particularmente divertida é, precisamente, este contraste entre a intenção de controlar tudo e a impossibilidade de controlar o que acontece. A mãe quer antecipar os problemas, organizar a viagem e garantir que tudo corre bem, mas é ela própria quem, distraída, vai desencadeando uma sucessão de pequenos desastres. O jovem leitor reconhece facilmente estas situações, descobrindo nelas uma oportunidade para rir daquilo que, no quotidiano, tantas vezes provoca ansiedade ou irritação. Afinal, esquecer, enganar-se, voltar atrás ou precisar da ajuda dos outros também faz parte da vida.
Ao contrário do que é habitual, a mãe não surge como alguém perfeita, sempre atenta e capaz de resolver tudo; pelo contrário, é alguém que também se engana e se atrapalha. Os adultos também se esquecem, precisam igualmente de ajuda e podem também perder o controlo de uma situação. O livro permite, assim, olhar para os pequenos fracassos quotidianos com humor, percebendo que nem sempre é necessário que tudo corra como planeado para que uma experiência seja feliz.

Marguerite Courtieu,formada na École des Arts Décoratifs de Estrasburgo e ilustradora e directora artística para diferentes editoras, oferece ao leitor uma extraordinária narrativa visual, movimentada e ritmada, que permite ao leitor observar aquilo que as palavras nem sempre dizem. Os detalhes visuais ajudam a construir as situações cómicas, convidando os jovens leitores a procurar pistas, a observar pormenores e a antecipar o que poderá acontecer a seguir, descobrindo novos elementos em cada página.
Com humor e leveza, Marguerite Courtieu lembra-nos que a vida raramente segue exactamente o plano que imaginámos e que, muitas vezes, são precisamente os desvios, os esquecimentos e os pequenos acidentes – os imprevistos da vida – que tornam uma história memorável. Um livro divertido e bem-humorado, excelente para dialogar.











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