Laranja, preto, branco. Foi este o Triângulo das Bermudas cromático, escolhido por Joana Estrela, para as ilustrações que acompanham “O Assalto na Escola” (Planeta Tangerina, 2026). Um livro apontado ao público infanto-juvenil que, espera-se, seja apenas o início de uma série escrita e desenhada por uma autora que, entre livros infantis e novelas gráficas, nos tem trazido alguns dos melhores álbuns ilustrados dos últimos anos.

No centro da narrativa está Rute, Presidente – e único membro – do Clube de Jornalismo da sua escola, o que lhe vale o cargo de directora de um jornal de pouca tiragem e leitura atenta. A possibilidade de estrelato surge quando, ao chegar à escola numa manhã de uma terça-feira, descobre que houve um assalto durante a noite anterior. Os factos conhecidos e pistas são, porém, escassos: o assaltante partiu uma janela e, no quadro negro da sala de aula, terá desenhado o símbolo de um enforcado, tal como o Zorro desenha o seu inconfundível Z. O roubou traduziu-se num envelope, com o dinheiro resultante de uma venda de bolos que serviria para pagar uma visita de estudo.

Nora, a melhor amiga de Rute e a única que já viu alguns filmes de terror, sugere que o culpado deve ser o mordomo mas, na falta de um, quem mais se aproxima é Augusto, alguém entre os 25 e os 58 anos, uma espécie de faz-tudo da escola que prima pelo seu silêncio e um mau-humor constante.

Na companhia de Nora e de Diogo, Rute irá embarcar numa missão detectivesca, num livro onde encontramos uma cozinheira altruísta, um bully dissimulado ou uma irmã gémea difícil de aturar, que irá pôr à prova a costela Sherlockiana dos jovens leitores enquanto lhes oferece uma única pista: as coisas nem sempre são o que parecem. Pelo caminho, há ainda tempo para um reparo às más condições das escolas ou para se mencionar, com souplesse, o sub-financiamento das bibliotecas públicas. Queremos continuação!











Sem Comentários