Passavam cerca de dez minutos das 21h00 quando, ao palco do Sagres Campo Pequeno, começaram a subir os 41 músicos da Orquestra Sinfonietta de Lisboa – conduzidos pelo maestro Robert Ames -, que acrescentaram cordas, metais, sopros, percussão e outras subtilezas à música intemporal dos islandeses Sigur Rós. Um regresso à boleia da Sigur Rós The Orchestral Tour, onde a banda se tem apresentado ao lado de orquestras locais para dar a conhecer “Átta”, o seu mais recente álbum de originais, para além de uma sentida revisitação a “Takk”, longa-duração que em 2026 celebra 20 anos.

A iluminação é subtil, com candeeiros que parecem ser uma versão contemporânea do Serenata à Chuva transpostos para uma biblioteca Harry Potteriana, com Jón Þór “Jónsi” Birgisson, Georg Hólm e Kjartan Sveinsson dispostos num triângulo escaleno por entre a orquestra, recusando qualquer ideia de protagonismo. A atmosfera é a de um concerto de música clássica, mesmo que pequenos ecrãs se vão erguendo – demasiadas vezes –, sem vergonha de registarem o momento que caberia apenas aos sentidos arquivar na memória.
O primeiro de dois actos, que se viram separados por um longo intervalo, navega por águas mais calmas, observando as orcas que vão passeando perto dos fiordes, com as primeiras aclamações populares a chegarem com “Andvari”, de “Takk”, e sobretudo “Starálfur”, tema incluído em “Ágætis byrjun”, o segundo disco da banda que, por aqui, é visto como o seu mais perfeito glaciar.

O segundo – e triunfal – acto desenrola-se em crescendo, com os candeeiros, até então numa luminosidade que não havia passado do branco, a revelarem cores mais quentes. A Corrente do Golfo sopra com mais intensidade, causando o derrame de uma lágrima ocasional ou o arrepio da pele, uma corrente de ar que traz a palco o Coro Ricercare, que nos leva a atingir o pico em “Ára bátur” antes da instalação da euforia com “Hoppípolla”, um dos mais celebrados temas da discografia dos Sigur Rós.

Jón Þór “Jónsi” Birgisson, Georg Hólm e Kjartan Sveinsson abandonam discretamente o palco, deixando à Orquestra Sinfonietta de Lisboa a missão de fechar o concerto com “Avalon”, de “Ágætis byrjun”, devolvendo o estado de transcendência a um concerto sobre o qual as palavras nunca serão suficientes. A não ser que, estas, sejam as dos próprios Sigur Rós, numa fotografia esbatida de uma infância feliz: “Jumping into puddles/ With no boots/ Completely drenched/ Soaked/ With no boots”. Takk – que é como quem diz obrigado.
Fotos: Everything is New
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Promotora: Everything is New











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