“Luz — A extraordinária energia que ilumina o nosso mundo” (Nuvem de Letras, 2025) é um livro ilustrado de não-ficção, dirigido sobretudo a leitores a partir dos sete anos, que procura aproximar os mais jovens da Física através da luz, das suas diferentes formas e de diferentes fenómenos físicos, tais como o arco-íris. Uma leitura que induz os jovens leitores a olhar para aquilo que se julga conhecer: a luz.
A luz está em todo o lado, permitindo ver, medir o tempo, participar na vida das plantas, transportar informação e ligar-nos a fenómenos que acontecem muito para além do nosso planeta. Acordamos com a luz do dia, vemos o mundo graças à luminosidade, procuramos o Sol quando queremos saber se vai chover, acendemos uma lâmpada quando escurece, admiramos um arco-íris depois da chuva. A luz acompanha-nos de tal forma que quase parece invisível.
Esta viagem pela natureza da luz tem início em fenómenos familiares, para colocar depois questões científicas: De onde vem a luz? Como viaja? Porque vemos as coisas? O que acontece quando a luz encontra uma superfície? Porque aparecem as cores do arco-íris? Será que existe luz que não conseguimos ver? Estas e outras perguntas procuram compreender que a luz pode comportar-se de diferentes maneiras. Quando encontra um objecto ou uma superfície, a luz pode ser refletida, isto é, mudar de direcção e regressar ao meio de onde veio. É graças à capacidade de a luz ser reflectida que conseguimos ver muitos dos objectos que nos rodeiam, que podemos observar a nossa imagem num espelho. Mas um espelho não «produz» a nossa imagem: a luz que ilumina o nosso rosto é reflectida pela sua superfície e chega aos nossos olhos.

Noutros casos, a luz é dispersa em muitas direcções por superfícies irregulares. É essa diversidade de comportamentos que ajuda a explicar por que razão o mundo visível é tão rico e complexo. A luz não é simplesmente aquilo que «acende» as coisas, é através da interação entre ela e a matéria que construímos grande parte daquilo que vemos.
E quanto às cores? Estão também relacionadas com a Luz. O branco da luz solar pode parecer uniforme, mas contém diferentes comprimentos de onda que os nossos olhos percepcionam como diferentes cores. Quando a luz atravessa uma gota de água, pode sofrer refracção e dispersão, separando-se nas várias cores que compõem o espectro visível. É assim que nasce o arco-íris: a luz branca do Sol entra nas gotas de água, muda de direcção, é reflectida no interior das gotas e volta a sair, separada nas suas diferentes cores. O arco-íris, que tantas vezes olhamos apenas como um espetáculo de beleza, torna-se, neste contexto, uma verdadeira experiência de Física. A beleza não desaparece quando descobrimos a sua explicação científica; pelo contrário, pode tornar-se ainda mais extraordinária.
É fascinante compreender que aquilo a que chamamos «luz» não se limita à pequena faixa que os nossos olhos conseguem detectar. A luz visível é apenas uma pequena parte do espectro eletromagnético. Existem ondas de rádio, micro-ondas, radiação infra-vermelha, luz visível, radiação ultravioleta, raios X e raios gama. Todas fazem parte do mesmo grande espectro de ondas electromagnéticas, embora tenham diferentes comprimentos de onda e frequências.

Há luz por todo o lado, mas nem toda a luz pode ser vista. Os nossos olhos permitem-nos captar apenas uma pequena parcela dessa realidade. Afinal, os nossos sentidos têm limites. Ver não significa ver tudo.
A luz é essencial à própria vida. A energia luminosa do Sol está na base de processos fundamentais para a existência dos seres vivos. As plantas utilizam a luz na foto-síntese, transformando energia luminosa em energia química e produzindo a matéria orgânica de que dependem. A alternância entre luz e escuridão participa ainda na organização dos ritmos biológicos de muitos seres vivos. E, para nós, a luz não é apenas uma condição para ver: influencia o sono, a vigília, a percepção do tempo e a forma como nos relacionamos com o espaço.
As ilustrações de Ana Sanfelippo são dinâmicas, elucidativas, expressivas e visualmente apelativas, ajudando a transformar conceitos científicos em imagens que podem ser observadas, relacionadas e compreendidas. As guardas, iniciais e finais, são padronizadas, dando pistas para o tema do livro.
Um livro que nos mostra, com rigor e encanto, que a ciência pode começar no momento em que olhamos para aquilo que sempre esteve diante de nós e decidimos perguntar: como é possível?











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