O MANTA regressa ao Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, nos dias 11 e 12 de Setembro, voltando a transformar os jardins num espaço de encontro entre diferentes geografias, culturas e linguagens musicais. A edição de 2026 reúne artistas da Catalunha (Espanha), Brasil, África do Sul e Portugal, assumindo a música como uma linguagem universal capaz de aproximar pessoas e comunidades. O festival assinala também o início de uma nova temporada de programação do Centro Cultural Vila Flor. Para além dos concertos, o MANTA reserva a tarde de sábado para as famílias.
PROGRAMA
Sexta, 11 Setembro
21h30 | Mar Pujol (Catalunha, Espanha)
Após três anos ininterruptos na estrada, Mar Pujol inicia um novo capítulo com o lançamento do seu segundo álbum, “D’aquesta aigua no en beuré” (Hidden Track Records, 2026), com saída prevista para Outubro, a coincidir com o início da sua nova digressão.
Se “Cançons de Rebost” abriu um espaço para a pausa e a contemplação, este novo trabalho abraça a contradição como a sua força motriz: uma afirmação definitiva que se desmorona por si mesma, uma provocação que desafia as certezas. Entre a aceitação e a rebeldia contra a imperfeição, estas novas canções habitam aquele lugar desconfortável, mas fértil, onde nada é inteiramente fixo.
Em palco, o projecto evolui sem perder a sua essência. Acompanhada pela violoncelista Bruna González, que também assegura as vozes de apoio, a actuação ao vivo expande a sua paisagem sonora com delicadeza e profundidade, oferecendo uma experiência que convida o público a abrandar, a escutar e a deixar-se guiar por aquilo que está em constante mutação.
22h30 | Leo Middea (Brasil)
Natural do Rio de Janeiro, Leo Middea tem-se afirmado como uma das vozes mais solares e prolíficas da nova música popular brasileira (MPB). Com um percurso marcado pela independência e pela circulação internacional, o cantor e compositor ganhou também uma forte projecção junto do público português após a sua aplaudida participação como finalista no Festival da Canção 2024, com o tema “Doce Mistério”.
Agora, o músico apresenta o seu sétimo disco de estúdio, intitulado “Notícias de Puglia”. Este trabalho funciona como um diário de bordo e uma extensão natural da sua intensa rotina de estrada. Ao longo dos últimos dois anos, as canções ganharam vida de forma nómada e espontânea, escritas entre viagens, camarins e hotéis. É o resultado directo de uma bagagem impressionante de mais de 300 concertos divididos por 16 países, que consolidam a sua identidade como um cidadão do mundo que canta em português.
Mais do que um registo geográfico de um artista em constante movimento, “Notícias de Puglia” revela-se um álbum de profunda entrega emocional. Nele, Leo Middea desacelera o ritmo do mundo exterior para mergulhar numa busca por liberdade interna e na necessidade vital de reconexão com as suas origens cariocas. Cruzando a bossa nova, o pop acústico e os ritmos tropicais com a vivência europeia, o disco assume-se como uma celebração calorosa do afeto e um convite aberto para sentir a vida e o amor sem reservas.
23h59 | Corleone Jr DJ set
Curadoria Oub’lá
Yin dos Botafogo, Corleone Jr navega confortavelmente pelos sete cantos dos orixás musicais. Explora vários mundos, da MPB ao disco, do funaná ao zouk, cruzando grooves de todas as geografias. Na verdade, o que gosta é mesmo de saltar de onda em onda. De preferência, de camisa aberta, malha após malha.
Sábado, 12 Setembro
21h30 | Bongeziwe Mabandla (África do Sul)
Reconhecido como uma das vozes mais cativantes da música africana contemporânea, o premiado artista sul-africano Bongeziwe Mabandla tem trilhado um caminho singular onde a inovação eletrónica se funde com a soul mais profunda, transcendendo fronteiras e barreiras linguísticas.
Após o sucesso global de “amaXesha” (destacado pelo jornal inglês The Guardian) e de uma estrondosa digressão mundial que esgotou salas de Londres a Nova Iorque, Mabandla inaugura agora um novo e ambicioso capítulo com o lançamento de “Ndingubani” (2026). O álbum — amplamente aclamado pela crítica internacional como uma obra-prima de vulnerabilidade, misticismo e maturidade artística — expande o seu universo sensorial ao acompanhar cada faixa com uma peça visual dedicada.
Conhecido por actuações ao vivo magneticamente honestas e de uma densa carga emocional, o músico regressa aos palcos com a sua nova digressão de 2026, que arrancou já com sete concertos esgotados na Europa. Um espectáculo imperdível que promete enfeitiçar o público através do poder curativo da sua música.
22h30 | Milhanas (Portugal)
Nascida em 2001, o percurso artístico de Milhanas tem-se destacado destacado pela intensidade de uma arte intimista, que cruza o jazz, o gospel e a música contemporânea, profundamente influenciada pela densidade dos escritores portugueses.
O seu álbum de estreia, “De Sombra a Sombra” (2023), explora os desafios da alma, sem nunca se render totalmente à tristeza. Na música de Milhanas habitam temas como “Eu de Prosa”, uma vénia ao fado e ao simbolismo de Amália Rodrigues. Nomeada para Melhor Intérprete nos Globos de Ouro de 2024, a aclamação consolidou o seu lugar como uma das vozes mais promissoras da atualidade, sentimento reforçado pelo sucesso do single “Algo Mais”.
Após encerrar um ciclo com concertos esgotados na Casa da Música e no CCB, celebrados com o tema “Apagar A Sombra”, Milhanas encontra-se agora na estrada numa digressão que percorre o país. Um convite para testemunhar de perto a magnitude e a constante evolução de uma artista singular.
23h59 | Not Fritzen DJ set (até às 02h00)
Curadoria Oub’lá
Sem fronteiras musicais desde 2008. Do mais orgânico ao electrónico, do inesperado ao intemporal. Uma selecção guiada por boas linhas de baixo, textura e intenção, acima de qualquer etiqueta.
PROGRAMA PARA CRIANÇAS E FAMÍLIAS
[Educação e Mediação Cultural]
12 Setembro
11h00 | Oficina
“Assim Juntos Dá Menos Trabalho”
Catarina Moura e Luís Pedro Madeira
Antes do espetáculo “Até Cantar Dá Trabalho”, convidamos famílias, crianças e adultos a descobrir como as canções tradicionais ajudavam a marcar o ritmo do trabalho, a coordenar gestos e a transformar tarefas difíceis em momentos de encontro.
Através de jogos vocais, pequenas percussões corporais, cantigas de chamada e resposta e melodias tradicionais de diferentes regiões do país, os participantes serão convidados a usar a voz como ferramenta de criação colectiva.
Entre o brincar e o cantar, construiremos um pequeno coro improvisado onde cada pessoa encontra o seu lugar, independentemente da idade ou experiência musical.
Uma oficina participativa para experimentar a força do canto em grupo, descobrir repertórios da tradição oral portuguesa e celebrar o prazer simples de cantar em conjunto.
17h00 | Música
“Até Cantar Dá Trabalho”
Catarina Moura e Luís Pedro Madeira
O trabalho dá trabalho. Mas se o mundo existe assim – a Natureza inicial acrescentada de existências nunca vistas – é mesmo porque os humanos juntaram a inteligência às mãos para montar uma oficina de sonhos. E à ferramenta chamaram Trabalho. Têm os magos a varinha mágica para a transformação dos desejos em realidade. E tem a gente comum sua varinha também, que transforma pedras em calçada, semente em eito de seara, palavras em poema, metal e fogo em foguetão. Mas quando o trabalho dá muito trabalho e os braços se queixam de cansaço, a voz inventa-lhe cantigas. Uma espécie de abracadabra para acompanhar o ceifar, o fiar, o aboiar, o recolher a rede, o partir o rochedo. Duas magias em vez de uma só! São essas cantigas que aqui se cantam, histórias afinal da vida do pão, que é lavra e sementeira colheita e debulha, entre a chuva e o fogo, entre a fome e a barriga cheia. O trabalho dá trabalho, mas… e o consolo que dá?











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