Num tempo em que tudo parece imediato e superficial, “(Dentro) Fora ()” (Upa Editora, 2025) lembra-nos a importância de parar, olhar e sentir.
“Lá dentro, o pintainho no ovo.
Cá fora, a galinha choca.
(…)
Lá dentro, o doce néctar.
Cá fora, um colibri celebra.”
É um pequeno livro em tamanho mas grandioso naquilo que desperta, abrindo-se como um espelho mas também como uma janela: para dentro de nós e para o outro. Há livros que se lêem com os olhos, outros que se sentem com o corpo inteiro. “(Dentro) Fora ()”, de Alejandra Acosta, é claramente um desses casos raros em que palavra e imagem não apenas coexistem: respiram juntas.

O texto, breve e conciso, é depurado, quase silencioso, deixando espaço para que cada frase ecoe como uma pergunta íntima: o que está dentro de nós? O que mostramos ao mundo? Há uma delicadeza na forma como a autora constrói esse diálogo entre interior e exterior, convidando o jovem leitor a reconhecer as múltiplas camadas da identidade.
É na ilustração que o livro ganha uma dimensão profundamente sensorial. As imagens não se limitam a acompanhar o texto – ampliam-no, desdobram-no, por vezes até o contradizem. Cores, formas e vazios criam um ritmo próprio, onde o “dentro” e o “fora” se transformam em paisagens emocionais. Há uma expressividade subtil que sugere mais do que mostra, permitindo que cada leitor projecte ali as suas próprias experiências. Um equilíbrio entre palavra e imagem que faz deste maravilhoso livro um objecto estético e reflexivo, daqueles que solicitam uma leitura lenta – e a releitura.

O formato joga com a materialidade do livro: a paginação, a disposição gráfica e a gestão do espaço contribuem para reforçar a ideia de “dentro” e “fora”, não apenas como tema mas como experiência física. Um livro para ler e dar a ler. Para explorar.











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