“Quem sou eu, afinal?”. Talvez seja esta a principal questão levantada em “Alice no País das Maravilhas” (Iguana, 2025), uma das mais célebres – e celebradas – histórias do universo infanto-juvenil, escrita por Lewis Carroll – Charles Lutwidge Dodgson no Cartão de Cidadão – e publicada originalmente em 1865.

Quando vê um coelho branco a correr, apressado, vestido com um elegante colete e olhando frequentemente para um relógio enquanto se vai lamentando em altos suspiros, Alice decide segui-lo. Ao mergulhar na toca por onde o coelho desapareceu, será conduzida ao país das maravilhas, onde conhecerá as mais estranhas personagens – sejam elas um gato falante com o poder de desaparecer quando lhe apetece ou um chapeleiro que queimou alguns fusíveis -, tentando escapar à fúria assassina de uma rainha de copas que só parece conhecer uma frase: “cortem-lhe a cabeça!”.
A novidade desta edição, para além da tradução de Raquel Patriarca e de um formato quase quadrado envolto em capa dura, é a abordagem criativa ao nível das ilustrações. Yayoi Kusama sofre, desde a infância, de uma condição que a faz ver manchas, o que torna o nosso mundo diferente a seus olhos – quem sabe mais parecido com aquele visitado por Alice.

As manchas são o elemento mais marcante e recorrente do livro, círculos de cor que vão alternando de tonalidades e formatos, a que se acrescentam ilustrações com muita personalidade, afastando-se tanto das outras adaptações literárias como daquelas levadas ao grande ecrã, a isto se juntando algumas flutuações do lettering, que tal como Alice vai encolhendo a aumentando de tamanho de acordo com o que a jovem protagonista come ou bebe. Se ainda não têm uma versão deste clássico lá por casa, esta pode ser uma boa compra.











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