“Como Chegar à Lua” (Nuvem de Letras, 2025) é um livro sobre a atenção e a descoberta, a curiosidade e a disponibilidade para o espanto. A narrativa, delicada e poética, está centrada na relação entre um neto e o seu avô, num cenário natural que favorece o imaginário e a contemplação.
“No verão, o Vicente viaja de comboio para casa do avô. (…). O Vicente e o avô jantam no pátio todas as noites. Sentam-se diante de uma mesa de madeira rodeada de banquinhos que o avô construiu”. Aqui começa a viagem, entre avô e neto, que poderá ser lida de diferentes formas. Por um lado, há um percurso físico, feito de caminhadas pela floresta, da observação da natureza e de pequenas tarefas que exigem atenção e paciência; por outro, desenvolve-se um percurso simbólico e interior, em que Vicente aprende a olhar o mundo de forma diferente, a valorizar os detalhes e a acreditar na possibilidade do extraordinário dentro do quotidiano. A Lua, mais do que um destino literal, transforma-se num símbolo do desejo, da imaginação e da capacidade de sonhar.

A progressão narrativa é lenta e intencional, marcada por momentos de pausa, de contemplação e de diálogo, envolta numa atmosfera íntima e quase confidencial, próxima da tradição oral, em que o conhecimento é transmitido através da experiência partilhada entre gerações.
As ilustrações de Ana Sender desempenham um papel fundamental na construção de sentido: ampliam significados, criando um universo visual onde a natureza surge como espaço mágico e sensorial. A floresta, a noite, a luz da lua e os pequenos detalhes (lanternas, sombras, animais) são tratados com uma paleta e um traço que evocam, simultaneamente, o real e o onírico.

As guardas iniciais sugerem a entrada no espaço da floresta e da imaginação, enquanto as finais funcionam como eco da viagem realizada, permitindo ao leitor regressar ao real com uma nova percepção, transformada pela experiência narrativa afectiva e intimista.
“Como Chegar à Lua” valoriza a imaginação, a relação inter-geracional e o poder transformador das histórias. Mágico e delicioso, este livro de Nicolás Schuff é para ler e dar a ler.











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