Assinado por Catel Muller e José-Louis Bocquet, “Kiki de Montparnasse” (Devir, 2026) é mais um volume da colecção Angoulême – levou para casa o Prémio Essencial 2008 -, com edição pela Devir. Obra incontornável da banda desenhada biográfica, presta homenagem a uma das figuras mais emblemáticas da vida boémia parisiense dos anos 1920, uma alma livre que foi um pouco de tudo: modelo, cantora, actriz, símbolo da liberdade artística e feminina da sua época.

Neste retrato cronológico de quase 400 páginas, desenhadas com um traço grosso e expressivo num preto carregado, Catel & Bocquet contam-nos a história da ascensão e queda de Alice Prin, nascida num contexto de dificuldades económicas e de grande instabilidade familiar. Circunstâncias que a levam, ainda jovem, a instalar-se em Paris, cidade que irá adoptar como sua e onde se tornará a modelo fetiche – ou companheira de pândega – de pintores como Chaim Soutine, Amadeo Modigliani, Maurice Mendjisky – é ele que a baptizará de Kiki de Montparnasse – ou Fujita Tsuguharu, mas também de Man Ray, fotógrafo com quem irá viver uma intensa relação.
O livro acompanha o trajecto de Kiki desde a infância à idade adulta, onde se irá consagrar como uma lenda viva do meio cultural parisiense, quase sempre caminhando como um funâmbulo numa vida feita de excessos e quase sempre no limite. Uma vida que, de certa forma, se inscreve naquilo que mais tarde ficaria imortalizado sob o lema Sex, Drugs & Rock n Roll.

A arrumação das vinhetas é excepcional. Mesmo quando o leitor se vê mergulhado em desenhos pormenorizados, há sempre uma grande leveza na leitura. A letra dos balões de texto é também certeira, como o são cada um dos separadores desta biografia desenhada, indicando o ano e o local na companhia de um pequeno desenho que sobressai na presença de um branco envolvente. Há ainda, no final, uma extensa cronologia, para além de notas biográficas sobre os artistas que se cruzaram com Kiki de Montparnasse, todos eles tocados de alguma forma pela sua aura.











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