Rémi Courgeon, reconhecido escritor e ilustrador francês – com já mais de 60 obras publicadas -, é quase um habitué do catálogo da Orfeu Negro. Primeiro tivemos “Endireita-te” (ler crítica), um livro mais alto que largo, onde a jovem protagonista empilhava na cabeça todo o tipo de objectos, caminhando em direcção à igualdade de género e a uma sociedade mais justa; seguiu-se “Piolha” (ler crítica), um álbum contra a dureza machona, onde a jovem Pavlina conseguia provocar o espanto em toda a família: iria trocar as teclas do piano pelas luvas de boxe.
Chega agora a vez de “Bananas Bananas” (Orfeu Negro, 2026), uma história sobre a relação profunda entre um avô e a sua neta, para a qual “o Didi é o farol da sua vida”. Didi, o avô, é “um velhote com rodinhas que pinta o mar há mais de oitenta anos, todos os dias, barafustando que nunca consegue, que é tão mais belo na vida real”.
Já Any, a neta, recebe de Max, o seu melhor amigo e narrador desta história, uma curiosa descrição: “uma artista um tanto louca, mas só um adjectivo não basta para a descrever”. É por isso que saca do dicionário para lhe juntar mais uma série de características: “Maluca. Chanfrada. Extravagante. Desmiolada. Choné. Chalupa. Tantã da cabeça”. Resumindo, alguém “genial”.

Vivendo num mundo quase puramente visual, Any irá descobrir, tal como o seu avô, uma obsessão: pintar cascas de bananas. O final, algo abrupto, é como um valente murro de estômago, decidido a instalar no leitor uma profunda comoção – o que consegue plenamente.
Numa história sobre obsessões, heranças e influências genéticas e presenciais, as ilustrações estão carregadas de dinâmica e côr, com pormenores que mostram uma forma multifacetada do acto criativo de Rémi Courgeon, que colocou parte de si neste álbum ilustrado, como se pode ler nas notas finais: “Inspirado nos 365 das em que Rémi Courgeon desenhou, diariamente, uma casca de banana”. Mais um para ler e arrumar na estante favorita.











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