O Porto Femme International Film Festival regressa ao Porto de 20 a 26 de Abril. Das 966 inscrições recebidas, a programação final contempla 128 filmes de 37 países, num programa que pretende reflectir a diversidade e a vitalidade do cinema produzido por mulheres e pessoas não binárias em todo o mundo. O tema deste ano é “O Trabalho”, um tema vasto e transversal que convida a pensar múltiplas questões sociais, culturais e políticas.
Homenagem a Raquel Soeiro de Brito
Em continuidade com as homenagens anuais a mulheres cineastas portuguesas, a 9.ª edição do Porto Femme presta homenagem a Raquel Soeiro de Brito (1925), geógrafa, investigadora e cineasta, que celebrou recentemente o centenário do seu nascimento. Através de um olhar atento às geografias, paisagens e comunidades, os seus filmes constroem um corpo de trabalho singular, revelando diferentes formas de ver, habitar e interpretar o mundo. A sessão de homenagem, que decorre no dia 22 de Abril no Batalha Centro de Cinema, exibe “Erupção Vulcânica dos Capelinhos, Ilha do Faial – Açores e Macau,” seguidos de conversa com a investigadora Ana Catarina Pereira.
Ciclo Pioneiras do Cinema Português
Em antecipação do ciclo que a Cinemateca Portuguesa irá apresentar em Maio, o Porto Femme apresenta um conjunto de obras de três cineastas que, em diferentes contextos, fizeram do cinema um ofício, uma forma de expressão ou um instrumento científico: Amélia Borges Rodrigues, Bárbara Virgínia e Raquel Soeiro de Brito – três mulheres que filmaram em Portugal quando isso era ainda uma ousadia.
A sessão realiza-se a 22 de Abril no Batalha Centro de Cinema, e será um momento de experimentação que vai combinar cinema e performance, com criação sonoplástica concebida por Lula Pena nos filmes de Raquel Soeiro de Brito, com o intuito de estabelecer um diálogo entre a imagem e o som, onde a projecção se transforma numa experiência imersiva. Esta sessão especial tem curadoria de Ricardo Vieira Lisboa.
A sessão inclui “Cascaes” (1937), de Amélia Borges Rodrigues; “Três Dias Sem Deus” e “Aldeia dos Rapazes” – Orfanato Santa Isabel de Albarraque” (1946/1949), de Bárbara Virgínia, a primeira mulher a realizar uma longa-metragem sonora em Portugal; a sessão destaca ainda os filmes já mencionados de Raquel Soeiro de Brito.
Mostra “LAVORES” evoca a resistência no cinema das mulheres
“O que é trabalho? E o trabalho das mulheres? Os lavores… todos os trabalhos que não cabem no trabalho, das ervilhas ao sexo, do parto à roupa suja, a história da nossa domesticação e das nossas revoltas.”
É com esta premissa que as curadoras Amarante Abramovici e Beatriz Diniz propõem a mostra “LAVORES”, que decorre de 22 a 25 de Abril. Em 5 sessões temáticas – Trabalho de Casa, Trabalho de Luta, Trabalho de Parto, Trabalho Manual e Trabalho de Sombra –, a mostra constrói um programa que ocupa as entrelinhas, as fronteiras entre géneros, o social e o pessoal, o documentário e a ficção, a memória e o arquivo. Uma proposta que entende o cinema das mulheres como prática de resistência e reinvenção, e que vai de encontro ao tema deste ano.
Selecção oficial marcada pela diversidade dos filmes
Dos cerca de 130 filmes em competição na 9.ª edição do Porto Femme, destaque, nas longas-metragens internacionais, para “Silent Rebellion”, de Marie-Elsa Sgualdo, drama de emancipação ambientado na Suíça dos anos 1940, em que uma jovem confronta a violência, a repressão moral e a hipocrisia da sua comunidade; “Fantasy”, de Katarina (KUKLA) Resek, uma vibrante exploração de género, desejo e auto-descoberta a partir do encontro entre três amigas e uma mulher trans;
e “Sugar Island”, de Johanné Gómez Terrero, um filme coming of age passado nos bateyes — comunidades ligadas às plantações de cana-de-açúcar na República Dominicana —, que acompanha uma jovem dominico-haitiana e revela as marcas do colonialismo, do racismo e da desigualdade social.
Na Competição Internacional de Documentário, sobressaem “The Strike”, de Gabrielle Stemmer, ensaio político e íntimo que parte da “greve sexual” de Ovidie para expor as fissuras do modelo heterossexual; “Naima”, de Anna Thommen, um retrato de uma mulher migrante venezuelana na Suíça em luta por dignidade, reconhecimento e autonomia; e “The Day Iceland Stood Still”, de Pamela Hogan, uma visita ao protesto histórico de 1975 em que as mulheres islandesas paralisaram o país.
Destacam-se ainda, nesta secção, “Flying Hands”, de Marta Gómez, e “Bad Reputation”, de Marta García e Sol Infante, de Espanha e Uruguai, respectivamente, enquanto, entre outros títulos da selecção oficial, assinalam-se também “Craftswomen”, de Gabriella Gerolemou [Grécia], “The Guiding Light”, de Cristina Rodríguez Paz [Espanha], e “Elvira Notari: Beyond Silence”, de Valerio Ciriaci [Itália, EUA].











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