Não chega num grande formato, com o bónus dos spray edges ou embrulhado na sempre robusta capa dura, mas é bem capaz de ser uma das mais bonitas edições que as livrarias receberam neste ano de 2026. Reunindo meia dúzia de contos de vários autores japoneses, “Lendas e Contos de Fadas Japoneses” (Guerra & Paz, 2026) é um mergulho fascinante no imaginário japonês, acompanhado de magníficas ilustrações e de uma arrumação gráfica de se lhe tirar o chapéu.
A História do Filho Pêssego forma, ao estilo do livro primeiro de Tolkien e dos anéis mágicos, uma estranha e improvável irmandade, composta por Momotaro – o rapaz que nasceu de um pêssego gigante -, um macaco, um cão e um pássaro, que viajam até uma ilha remota parar destruir o covil de um bando de demónios.
A História de Urashima Taro, o Rapaz Pescador fala da importância de cuidar bem do outro e dos animais, pegando no mito da Caixa de Pandora para um aviso algo paternalista à pequenada: “Crianças, nunca desobedeçam àqueles que são mais sábios do que vocês, pois a desobediência foi o início de todas as misérias e tristezas da vida”.
O Cortador de Bambu e a Criança da Lua apresenta-nos a Kaguya, a Princesa da Lua, que um jovem cortador de bambu descobre dentro de uma das canas, irradiando uma luz incrível e passando a prendá-lo com jóias sempre que corta uma cana. Uma princesa tão bonita que vai ser cobiçada por 5 pretendentes, numa história que nos oferece uma lenda possível sobre o nascimento de um dos mais lendários locais do Japão.
O Pequeno Polegar é um dos clássicos maiores das lendas japonesas, a curtíssima história de um polegarzinho que aumentou de tamanho depois de derrotar dois ogres.
O Pardal Com a Língua Cortada dá-nos a conhecer um homem submisso a uma mulher extremamente cruel, um homem cuja única felicidade são os momentos que passa com o seu pássaro. Um que culmina com uma mudança comportamental desejável, mas muito difícil de engolir.
A fechar esta colectânea está O Velho Que Fazia as Árvores Florescerem, uma variação do tema do crime e castigo a partir da inveja e da cobiça.
Há, quase sempre, pais que gostariam de ter filhos, ou animais que acabam por desempenhar, de certa forma, o papel destes. São contos habitados pela ideia da bondade humana, da possibilidade de redenção, que se acredita poder despontar no final de uma vida de malícia; mas também pelo castigo, que surge a espaços como o desígnio da reparação. Não falta algum espírito moralista pelo meio, mas é sobretudo a imaginação que surge em destaque, imaginação que tem feito das lendas, contos e romances japoneses material literário de puro fascínio. A boa notícia é que a Guerra & Paz decidiu continuar esta série, agora com a publicação de “A Magia da China – Lendas e Contos de Fadas”, já disponível nas livrarias.











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