“Bem-vindos ao Mundo Suede. Um lugar ao qual, não importa as vezes que te atirem ao chão, estarás sempre de volta”. Numa tradução mais ou menos livre, foram estas as palavras que Brett Anderson, voz, corpo, alma, coração e homem-poster dos Suede, atirou no lançamento do esmerado concerto de dia 20 de Março no Sagres Campo Pequeno.
Em 2019, no concerto no Vodafone Paredes de Coura, Brett tudo fez para sair carregado em ombros, mas parecia haver um qualquer intervalo entre a pop sofrida, romântica e imensamente trágica dos Suede e as novas gerações, algo que não acontece, por exemplo, com os pares Blur ou Pulp – “Common People”, tema da banda de Jarvis Cocker, teve em Coura direito a um moshpit ao estilo de uns Turnstile mais fofinhos, e o que dizer do celebrado regresso dos Blur ao Primavera da Invicta? Mas talvez tenha sido sempre assim: na Britpop, os Suede correram quase sempre numa pista própria, fabricando uma pop ardilosa à qual não vão faltando artifícios, rugosidades e algum snobismo intelectual – o que, diga-se, só lhes fica bem.

No Campo Pequeno, ao contrário do longínquo concerto da banda no Coliseu dos Recreios – estávamos então em 2013 -, Brett não despachou os fotógrafos com um amoroso «you guys fuck off» ou, não contente com a entrega do público, lhes serviu um cocktail de soda cáustica à boleia de um «If you don`t dance fuck yourself». Os Suede jogavam claramente em casa, com um público maioritariamente composto por cinquentões – e cinquentonas -, que viram a banda crescer desde a edição do homónimo “Suede” (1993) – e que deverão ter celebrado efusivamente “Antidepressants”, o recente e recomendado disco de 2025.
O amor foi incondicional e sem acanhamento desde que “Desintegrate” disparou nas colunas – o som, uma vez mais, não esteve à altura -, com a banda a ser acompanhada por projecções algures entre a vertigem da arte de vanguarda e o espírito karaoke, com versos impressos na tela a pedirem coros que se iam ouvindo de canção para canção.

Brett não esperou muito tempo até vir medir a temperatura ao meio do público, que mais à frente se viu brindado com um momento a cappella em “Still Life”, tendo o silêncio sido imposto com uma grande desenvoltura. Isto e muito mais antes de um explosivo tour de force com “Everything Will Flow”, “So Young”, “Metal Mickey” e “Beautiful Ones”, cabendo a “Dancing with the Europeans” o papel de tema solitário do encore. They`re still in fashion.
Setlist
Disintegrate
Antidepressant
Trash
Animal Nitrate
The Drowners
15 Again
Pale Snow
Indian Strings
Filmstar
Can’t Get Enough
June Rain
She Still Leads Me On
Shadow Self
Trance State
Still Life
Everything Will Flow
So Young
Metal Mickey
Beautiful Ones
Encore:
Dancing with the Europeans
Fotos: Tiago Cortez / Everything is New
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Promotora: Everything is New











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