Em 1902, anos antes de Peter Pan surgir na peça de teatro e no romance que o transformaria numa personagem intemporal, James Mathew Barrie escreveu “O Pequeno Pássaro Branco” que, nos dias de hoje, podemos apontar como uma espécie de prequela. É esta aventura inicial da criança que se recusa a crescer que José-Luis Munuera adapta em “Peter Pan de Kensington” (A Seita/Arte de Autor, 2025).
Aventureiro, caçador de piratas, autêntico e inimitável. É com todos estes adjectivos e qualidades que Peter Pan se apresenta à pequena Maimie Mannering, perdida na imensidão dos jardins de Kensington, por entre fadas que parecem ter um apetite especial por dedos de menina, sombras com vida própria ou animais falantes com alma de poeta.

Para regressar ao mundo dos humanos, Maimie terá de resolver com Peter Pan o difícil enigma lançado pela Rainha deste jardim, que só a libertará em troca de um objecto: “Debaixo da memória dourada do amor da minha sombra, na pátria dos poetas, tu encontrarás o dedal de costura”.
Peter Pan, entretanto, tenta convencer Maimie a com ele ir visitar a Terra do Nunca, dizendo-lhe que os adultos consideram a criança ideal “aquela que fica a um canto sem dizer nada, sem fazer barulho, sem se mexer, sem tocar em nada”, mas Maimie não se deixa convencer, escudada pelo amor parental com que foi criada.

Apesar destas visões distintas, Peter Pan e Maimie Mannering irão viver uma entusiasmante aventura de uma noite, mesmo sabendo que regressarão a mundos bem diferentes. Um álbum onde os desenhos compensam, largamente, uma história que se lê como um estudo do livro maior que acabaria por nascer.











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