Andam à procura de um livro inteligente, estimulante e que não vira a cara à comoção? Pois bem, “A Visita do Brutamontes” (Quetzal, 2025 – reedição) é bem capaz de ser a vossa praia, tendo valido a Jennifer Egan uma apreciável colecção de prémios e honrarias: Prémio Pullitzer, National Book Critics Circle Award para ficção e Los Angeles Times Book Prize.
No centro da trama está Bennie Salazar, antigo punk rocker e fundador da editora Orelha da Porca. Caído numa quase desgraça, apesar de salpicar o café com flocos de ouro julgando tratar-se de um afrodisíaco, declarou com os seus botões a morte da arte, sabendo que o que “andava a trazer para o mundo era merda”. A seu lado está Sasha, a sua assistente, uma mulher impetuosa e com pelo menos três costelas de cleptomaníaca. Alguém que, na chegada a Nova Iorque alguns anos antes, escrevinhou uma pequena mas ambiciosa lista de objectivos: “Encontrar uma banda para gerir; compreender os noticiários; estudar Japonês; praticar harpa”.

Jennifer Egan dá-nos a conhecer o(s) passado(s) de Bennie e de Sasha, onde descobrimos também personagens como Rhea, a autora das letras dos Dildos Flamejantes – uma banda de semi-culto nos idos anos 80 -, ou Scotty Hausmann, um dos membros dos Dildos para quem Sasha e Bennie planeiam um retorno apoteótico.
“A Visita do Brutamontes” é um hino à intemporalidade da música que, mesmo com uma indústria de olhos fixos no cifrão, arranja sempre maneiras de surpreender. Mas é também um olhar sobre o tempo, as transformações sociais ou a própria linguagem, num futuro/presente onde domina o “fenómeno dos invólucros das palavras”, palavras que se viram “despojadas dos seus significados e reduzidas a cascas”. Um livro genial que, quando é preciso, não tem medo de recorrer à muleta dos powerpoints. Se gostam de música – e de literatura -, não deixem escapar este.











Sem Comentários