Continuamos em modo novidades, agora partilhando a colheita insolente que a refractária Antígona preparou para este ano. Cristina Peri Rossi, Francesca Albanese e Robert Walser são alguns nomes em agenda.
AUTORAS EM DESTAQUE

“A Insubmissa” | Cristina Peri Rossi
Prémio Cervantes 2021 • Prémio Ibero-americano de Letras José Donoso 2019
Tradução: Guilherme Pires
Género: Autobiografia ficcional
Lançamento: 22 Junho
“A Insubmissa” (2020), romance autobiográfico sobre a infância e a juventude de Cristina Peri Rossi, desenha literariamente uma personalidade determinada e um percurso de vida sem cedências. Fundindo flashes da história de um país e de uma geração, é uma galeria de momentos que definem uma vida e uma vocação: a oposição à violência do pai, o despertar do gosto pela leitura e pela escrita, a consciência do estigma associado à mulher artista e à homossexualidade.
“O Museu dos Esforços Inúteis” | Cristina Peri Rossi
Tradução: Guilherme Pires
Género: Contos
Lançamento: 6 Julho
Livro fundamental na narrativa breve de Cristina Peri Rossi, “O Museu dos Esforços Inúteis” (1983) reúne trinta contos que apontam a mira ao zeitgeist contemporâneo e revelam os absurdos do quotidiano: «O corredor tropeça», sobre um promissor atleta que falha no momento decisivo, «Instruções para sair da cama» – as infindas cogitações de uma mulher sobre este acto aparentemente tão simples – e a história de um peculiar museu que cataloga todos os esforços inglórios da humanidade.

“Ninguém me Verá Chorar” | Cristina Rivera Garza
Género: Romance
Lançamento: 24 Agosto
México, anos 20. Nas sombras da revolução, jazem os arquivos dos silenciados e dos loucos. Cristina Rivera Garza mergulhou neles para nos levar neste romance aos corredores do manicómio La Castañeda, onde se cruzam os olhares de Modesta Burgos, louca, e de Joaquín Buitrago, fotógrafo do hospício. Quando este tem acesso ao processo de Modesta, desvenda uma vida de liberdade travada por um diagnóstico de loucura, à semelhança de tantas mulheres invisibilizadas na História. “Ninguém me Verá Chorar” (1999) foi aclamado pela crítica como uma obra-prima da literatura mexicana.
“O Invencível Verão de Liliana” | Cristina Rivera Garza
Género: Memórias/Relato autobiográfico
Lançamento: 7 Setembro
Em Julho de 1990, uma jovem é assassinada no México pelo ex-namorado em fuga, nunca condenado. Trinta anos depois, Cristina Rivera Garza regressa ao país para reabrir o caso arquivado de Liliana, a sua irmã mais nova, e reúne a coragem para, a partir dos textos, cartas e notas deixadas por ela – um «arquivo meticuloso» em caixas de cartão –, compreender um crime e, sobretudo, reconstruir uma vida. O Invencível Verão de Liliana (2021) é simultaneamente um livro íntimo de memórias com uma imensa força literária, uma obra de luto e revolta, uma denúncia do feminicídio e da impunidade.

“Quando o Mundo Dorme” | Francesca Albanese
Tradução: Pedro Morais
Prefácio: Shahd Wadi
Género: Ensaio
Lançamento: 23 Fevereiro
“Quando o Mundo Dorme” (2024) dá-nos a conhecer histórias de dignidade e resistência na Palestina que marcaram Francesca Albanese e que nos ajudam a compreender o espírito de um território e de um povo oprimido: as vidas de Ghassan Abu-Sittah, um cirurgião horrorizado pelo que presenciou, Malak Mattar, uma artista exilada mas movida por uma esperança inspiradora, Hind Rajab, uma criança de seis anos morta em Gaza enquanto aguardava por socorro, Alon Confino, um pensador judeu devastado pelo apartheid vigente, entre outros testemunhos. Histórias que, unidas pela recusa do horror, alumiam reflexões mais amplas sobre colonialismo, traumas e genocídios, e que nos revelam a humanidade, a coragem e a beleza de um povo que resiste.
FICÇÃO EM DESTAQUE

“Um Homem que Dorme” | Georges Perec
Tradução: Luís Leitão
Género: Novela
Lançamento: 19 Janeiro
Um despertador toca numas águas-furtadas de Paris; um jovem permanece deitado, indiferente à cidade que acorda e ao exame que o esperava nesse dia. “Um Homem que Dorme” (1967) narra o quotidiano de uma criatura que decide, convictamente, não mexer uma palha, cruzar os braços perante a vida, ser alheio ao «banho de obrigações sem fim, ao melífluo terror que pretende controlar todos os dias, todas as horas, da diminuta existência». Parente de Bartleby e de Oblomov, acompanhamo-lo a vaguear entre a multidão nas grandes avenidas e nos cinemas, em busca de um ansiado apagamento.

“Autobiografia de Um Polvo” | Vinciane Despret
Tradução: Pedro Elói Duarte
Prefácio: Diana V. Almeida
Género: Ficção
Lançamento: 2 Fevereiro
Num mundo futuro, a linguagem, a escrita e a arte não são exclusivas da humanidade. Vários relatos de uma comunidade científica imaginária revelam-nos a poesia das aranhas e das suas teias, a arquitectura entre os vombates e os aforismos efémeros de um polvo. Sob a égide de Ursula K. Le Guin, os três contos especulativos de “Autobiografia de Um Polvo” (2022) esbatem fronteiras entre ciência e ficção, questionando a nossa ilusória soberania no planeta.

“Matamos Stella e Outros Contos” | Marlen Haushofer
Selecção, tradução e prefácio: Gilda Lopes Encarnação
Género: Contos
Lançamento: 9 Março
Depois de “A Parede”, a Antígona publica em 2026 os melhores contos de Marlen Haushofer, contemplando os seus temas obsidiantes: a prisão social, familiar ou conjugal. Entre as doze ficções reunidas, destaca-se a novela «Matamos Stella» (1958), a crónica de uma tragédia anunciada no seio de uma família, uma história sobre indiferença e passividade fatais numa sociedade conservadora e hipócrita.

“O Passeio” | Robert Walser
Tradução: Bruno C. Duarte
Prefácio: Gonçalo M. Tavares
Ilustrações: Pierre Pratt
Género: Narrativa
Lançamento: 6 Abril
Na longa tradição de filósofos e escritores caminhantes – de Nietzsche a Sebald, passando por Thoreau e Woolf –, para Robert Walser escrever e caminhar eram tão vitais como o ar que respirava. Obra-prima da narrativa breve do autor, “O Passeio” (1917) é um elogio da deriva, nos antípodas de pragmáticas deslocações em linha recta entre pontos num mapa. Ao sabor do acaso e da surpresa, Robert Walser deambula na cidade e no campo, num sinuoso percurso que lhe inspira reflexões sobre a beleza da natureza e o absurdo de convenções.

“Morte Acidental de Um Anarquista” | Dario Fo
Tradução: Miguel Serras Pereira
Género: Teatro
Lançamento: 4 Maio
Se convenientes quedas de janelas resolvem hoje vários problemas no mundo – entre os quais, a contestação ao poder –, já Dario Fo em 1970 se debruçava sobre a questão. Estreada em 1970, numa Itália a ferro e fogo, “Morte Acidental de Um Anarquista” (1974) inspira-se numa história verídica: o «suicídio» de Giuseppe Pinelli, suspeito de atentado à bomba e interrogado pela polícia, vítima também da pouca integridade estrutural de uma janela do quarto andar de uma esquadra em Milão. Uma perspicaz farsa, zombeteira e rebelde, sobre manipulação e falsidade, corrupção e materiais de construção.











Sem Comentários