Já é conhecida a programação musical de Janeiro do aquário de Lisboa que oferece a melhor banda sonora. Ficam as devidas apresentações do que poderá ver e ouvir, este mês, na ZDB.
QUINTA 15 JANEIRO / 21H
Rapid Zen ← Zénite Azul
Rapid Zen é um trio – composto por Barbara Togander, Gonçalo Almeida e Vasco Trilla – que constrói um universo sonoro exploratório e vibrante. A sua música desenvolve-se através da interacção entre sampling e scratching em gira-discos. Esta camada electrónica dialoga com uma ampla gama de técnicas acústicas no contrabaixo e voz. O resultado é uma fusão dinâmica onde ritmo, textura e improvisação convergem, esbatendo as linhas entre composição e criação espontânea.
Zénite Azul é um projecto que procura o ponto da esfera celeste que está diretamente acima dos lugares de vida que Maria do Mar, Tracy Lisk e Helena Espvall ocupam no planeta Terra. A violinista, a baterista e a violoncelista propõem-se investigar as possibilidades de sinestesia que estão nos sons.
SEXTA 16 JANEIRO / 22H
XEXA apresenta Kissom ← SUZANA
XEXA surge no catálogo da Príncipe Discos como uma viragem inesperada para territórios siderais de infinita transformação. Concebendo novas expressões e abordagens inéditas, o seu último álbum, “Kissom”, evidencia a prevalência do ritmo como elemento indutor — a pulsação cardíaca de um corpo. Parece acentuar as toadas de micromelodias que circulam pelas dez luas deste céu aberto de XEXA: um portal para a memória e a fantasia que a música pode, e deve proporcionar ao comum mortal.
Formada em música clássica, SUZANA tem vindo a abraçar diferentes estilos e projectos musicais. Dia 16 irá apresentar o seu projecto a solo, trazendo-nos composições originais em violino e voz.
QUINTA 22 JANEIRO / 21H
JP Simões apresenta Bloom: Do Not Disturb
Bloom é a força corrente do poder camaleónico de JP Simões. Na última década editou três álbuns, todos eles diferentes, entre o folk, blues, indie rock e até um pouco de glam. “Do Not Disturb”, o mais recente, editado em Dezembro de 2025, toca com Pedro Pinto (contrabaixo) e há uma tendência natural para se pensar mais em jazz. Está lá, sim, mas é também uma belíssima orientação entre todas as outras canções que existiram antes e uma vontade, no presente, de as encaixar. A voz de JP Simões encontra, claro, o seu lugar. Ele é camaleónico, a voz não: descontraída, elegante, quente quando quer ou, melhor, precisa.
QUARTA 28 JANEIRO / 21H
Green Milk from the Planet Orange ← Fícus
Ressurgidos em 2017 com o álbum Third, os Green Milk from the Planet Orange continuam a propagar uma música que descarta o virtuosismo estéril do prog mas recolhe aquilo que daí interessa, abrindo espaço à improvisação numa progressão que atira para estados alterados da psique através de uma cascata de riffs e solos em direcção ao infinito, linhas de baixo repetitivas na tradição kraut e ritmos de bateria que tanto propulsionam quanto se deixam cair num abismo sem rede, com uma entrega e abandono bem punk, mas plenamente conhecedora do instrumento. E do seu potencial de elevação.
Ficus é um projecto experimental e psicadélico com lugar a muita improvisação composto por Ricardo Santos (baixo), Filipe Martins (bateria), Bruno Marcelino (guitarra) e Pedro Duarte (flauta).
SÁBADO 31 JANEIRO / 22H
Molly Nilsson ← Scott Hardware
A sueca Molly Nilsoon é prova de que a pop continua a ser um território fértil e um canal privilegiado de comunicação emocional. Sem comprometer nem conceder, desvendou um mundo fascinante de sintetizadores húmidos, ritmos enevoados e uma voz glacial com um tom confessional que espelha também uma consciência política. No seu novo álbum, “Amateur”, refina a sua matéria e demonstra o seu gosto pelo paradoxo: do anacrónico ao futurista, do melancólico ao esperançoso, do real ao onírico.
Evocando simultaneamente o fascínio assombroso do glamour de Hollywood e as silhuetas difusas do pop industrial dos anos 90, no seu último álbum, “Overpass”, Scott Hardware examina a futilidade com um sorriso irónico.











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