“Adoro árvores. Adoro esta árvore. Esta árvore é MINHA. Adoro comer as MINHAS pinhas à sombra da MINHA árvore. Esta árvore é MINHA, e estas pinhas são MINHAS. Mas … e se algum dia alguém decidir que a MINHA árvore não é MINHA, mas sim SUA? E se esse alguém quiser comer as MINHAS pinhas à sombra da SUA árvore, ou as SUAS pinhas à sombra da MINHA árvore?”. Assim começa o deslumbrante livro “Esta Árvore é Minha” (Não te aproximes!), escrito por Olivier Tallec (Nuvem de Letras, 2024), que nos apresenta a um esquilo que insiste em reclamar tudo como sua propriedade: a árvore, as pinhas, o espaço à sua volta.
Tudo tem início com uma declaração de posse – e categórica – do esquilo. Porém, quando se vê questionado sobre esta sua obsessão, o esquilo começa a imaginar possíveis formas de não deixar intrusos aproximarem-se e usufruírem da sua árvore, da sua sombra e das suas pinhas. Conseguirá isolar a sua árvore dos outros?

Através de uma situação aparentemente simples, o livro coloca questões sobre egoísmo, posse, ganância e o medo de perder o controlo, mostrando, de forma subtil, como a obsessão em “ter tudo para si” poderá conduzir ao isolamento, retirando o prazer do convívio e a generosidade da partilha.
O traço de Tallec é simples mas bastante expressivo e, em algumas situações, exagerado, intensificando o conflito interior do esquilo entre a sua vontade de dominar e a solidão que essa atitude lhe traz. A imagem é poderosa, as ilustrações ampliam o sentido do texto, a sua expressividade transmite emoções e pensamentos que não são verbalizadas. Há uma forte narratividade na imagem, sendo visível um certo humor, um traço caricatural expresso na desproporção entre a pequenez do protagonista e a imensidão da árvore e das pinhas.

A paleta de cores, quase sempre tons de terra, é pouco diversificada, mas focada na árvore e essencialmente no protagonista – o esquilo. O fundo branco das páginas contrasta com os tons quentes da árvore e do esquilo, reforçando a intensidade do conflito e induzindo o olhar do leitor para o foco. Um livro visualmente precioso, magnífico, divertido e reflexivo, para ler, dar a ler e dialogar.
Olivier Tallec, autor e ilustrador de renome mundial, criou uma fábula simples, divertida e actual para os tempos modernos. Um álbum repleto de camadas, onde o humor e o exagero fazem com que até as crianças mais pequenas reconheçam o absurdo da ganância, da xenofobia e do medo de perder que afligem o pobre esquilo.











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