“Gaspar e a Carta de Natal Perdida”, (Nuvem de Letras, 2025) livro de Alex T. Smith, é uma obra encantadora que combina ternura, aventura e a magia do Natal, num retrato delicado sobre a solidariedade e a importância dos gestos simples para ler como se fosse um calendário do advento – são vinte e quatro capítulos.
Na primeira página, o leitor encontra a recomendação de que deverá começar a ser lido no dia 1 de Dezembro, lendo depois um capítulo por dia até ao dia 25 de Dezembro. “O último (meio) capítulo deve ser lido no próprio dia de Natal!”. Se há livros que conseguem capturar o verdadeiro espírito do Natal, “Gaspar e a Carta de Natal Perdida” é um deles. Para famílias que gostam de criar rituais literários, esta estrutura transforma a leitura numa experiência especial, dando tempo para conversar, imaginar, antecipar o desfecho da aventura ou simplesmente escrever, em conjunto, uma carta para o Pai Natal – ou, quiçá, desenhar cenas da viagem de Gaspar. Este é um livro para (com)partilhar, para saborear de forma lenta e pausada.

Ao longo da leitura encontramos várias camadas – para alguns, será apenas um livro de aventuras divertidas e ternurentas; para outros, um livro sobre o Natal onde os valores da responsabilidade, compromisso, empatia, coragem e esperança estão presentes; para outros ainda, esta será uma oportunidade de, simplesmente, regressar à magia do Natal. Cada leitor encontrará o seu caminho, reflectindo e dialogando sobre o verdadeiro valor do Natal, dos laços afectivos reforçados nesta quadra natalícia, no que é a generosidade.
A história começa quando Gaspar, um pequeno e determinado rato, encontra uma carta perdida para o Pai Natal. Em vez de a ignorar, decide fazer algo simples mas muito difícil: garantir que a carta chegue ao destino certo. Começa assim uma viagem cheia de momentos ternos, com personagens improváveis e aquele toque de magia que só alguns livros conseguem oferecer.

As ilustrações emergem como parte integrante da narração. Há páginas mais preenchidas, páginas completas – umas com pequenos detalhes, outras com muitos detalhes (edifícios, paisagens, objetos natalícios) – e outras mais minimalistas, centradas em Gaspar ou na carta perdida, o que ajuda a marcar os momentos mais íntimos da história.
Gaspar surge, ao leitor, de forma carismática: pequenas proporções, olhos atentos, um porte de alerta, o que fortalece a sua inocência e determinação. As outras personagens – seres humanos, uma gata formosa, a Pat, renas ou o Pai Natal — são esboçadas com realismo, estilizadas, transportando afectividade. Este Natal, embarque com o rato Gaspar nesta viagem inesquecível.











Sem Comentários