“A Borboleta” (Orfeu Negro, 2025), de Kirsten Hall – com ilustrações de Isabelle Arsenault -, é um livro singular, onde a informação científica, a poesia e a arte de ilustrar se exibem de forma delicada e rigorosa.
A migração anual das borboletas-monarcas, uma espécie em perigo de extinção, é o tema. Cada vez menos visíveis nos céus, viajam milhares de quilómetros – do Canadá ou das Grandes Planícies às colinas do México – quando o frio chega. Atravessam fronteiras, estações e gerações, transformando um fenómeno natural num hino à vida, à natureza e às implicações ecológicas desta espécie resiliente e aventureira.
Kirsten Hall, escritora norte-americana e editora, conhecida por transformar temas científicos em experiências literárias incríveis, convida os leitores à contemplação, ao silêncio e ao olhar atento, à descoberta das metamorfoses e ao espanto.

Isabelle Arsenault, uma das ilustradoras mais premiadas da actualidade, apresenta um traço distinto, sensível, elegante e expressivo. As suas ilustrações não se limitam a reproduzir o texto: dialogam com ele, criando pausas, sugestões para mais saber, melhor olhar e, quiçá, agir. Os tons quentes — laranjas, dourados e negros — evocam as asas das monarcas, enquanto os espaços brancos transmitem a leveza do ar e a sensação de movimento. As guardas, iniciais e finais, padronizadas, convidam ao diálogo e à descoberta. Afinal, que significam o fundo preto e as bolas brancas? É na observação atenta que o leitor encontrará a resposta.
O diálogo entre Hall e Arsenault resulta num belíssimo livro, que envolve, com emoção e poesia, a necessidade de preservar a natureza, respeitar os ciclos naturais e agir para termos um mundo mais sustentável. O texto informativo, sobre os riscos que as borboletas enfrentam, educa o olhar enquanto a ilustração amplifica sentidos.

O trabalho conjunto das autoras resulta numa narrativa visual e literária sobre as transmutações, interdependência e persistência. A viagem das borboletas torna-se numa metáfora da vida: vulnerável, audaciosa, bela, comovente e efémera. Um livro que convida à leitura lenta, à escuta do silêncio entre as páginas, à reflexão sobre o tempo humano e os ciclos da natureza num acelerado e fragmentado.
No final, as autoras dedicam o livro “às nossas mães que nos deram asas”, deixando o desafio para todos juntos fazermos a diferença e salvarmos o futuro das borboletas-monarcas, sugerindo que nos juntemos ao voluntariado que investiga as “borboletas e as plantas que lhes servem de abrigo e alimento”.











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