É uma das séries mais densas publicadas pela Devir, com grande fôlego narrativo, que nos transporta aos tempos de uma Alemanha às voltas com a reunificação. Escrita e desenhada por Naoki Urasawa, Monster foi originalmente editada no Japão entre Dezembro de 1994 e Dezembro de 2001, na revista de mangá seinen Big Comic Original, revelando-se um thriller em volta da ideia de mal absoluto, que pelo caminho vai levantando questões sobre a justiça, a ética ou a vingança, num mundo dominado num sistema de classes que vai deixando muitos de fora.

Em “Monster 4” (Devir, 2025), Richard está firme no desejo de rever a sua filha Rosemarie, depois de uma epifania pessoal: “Deixei de beber. Voltei à minha vida de antes. Aliás, acho que nunca levei uma vida tão normal como agora. Porque finalmente percebi o valor de tudo o que perdi”. Anos atrás, bêbado, enquanto estava de serviço, assassinou a tiro um jovem de 16 anos – “um assassino em série” segundo Richard -, o que o levou a abandonar a polícia e a afastar-se de toda a gente.
No presente, Richard volta a investigar a morte de Fahren, cujo corpo terá sido encontrado por Karl Newmann estudante de gestão, que corre o rumor de ser filho do milionário e muito bem relacionado Schwald, conhecido por muitos como o Vampiro da Baviera. Perseguindo uma obsessão agora sóbria, Karl faz uma descoberta que poderá finalmente unir todas as pontas soltas: “Todos aqueles casos que eu tinha a meu cargo e que ficaram por resolver eram, na verdade, um único caso”. Para Karl, todas as vítimas foram assassinadas com o objectivo de isolar Schuwald, sendo Jonah o elo comum entre todas elas.

Quanto a Jonah, consegue penetrar no círculo íntimo de Schuwald, tornando-se o seu braço direito, sendo apontado como um rapaz maravilha capaz de levantar a economia do país. Sabendo que Tenma, em tempos o Messi dos cirurgiões – que se viu acusado dos vários crimes cometidos por Jonah -, continua firme na decisão de o matar, continua a viver uma vida normal. Até ao momento que desmaia numa biblioteca pública, ao folhear um velho livro infantil checo, onde a certa altura se lê: “Olhem para mim! Olhem para mim! O monstro dentro de mim já está tão grande!”. Quem diria que tudo se iria revelar através da Literatura?











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