O clássico texto “Sobre a Brevidade da Vida” (Talento, 2023), de Séneca, é aqui apresentado numa tradução de Romão Cunha, acessível para leitores interessados em filosofia prática e estoicismo. Esta edição oferece o texto essencial de forma elegante e acessível, mas sem comentários extensos, apêndices, um prefácio analítico ou outras notas que poderão auxiliar os leitores que desejem uma experiência mais reflexiva. Não há notas explicativas ou contexto histórico-filosófico, o que poderá limitar a compreensão mais profunda de conceitos da filosofia dos estoicos.
“Agimos como mortais perante tudo o que tememos e como imortais perante tudo o que cobiçamos”. É esta a citação apresentada ao leitor no início da leitura, que esclarece que a nossa vida não é breve, mas que frequentemente, nós, seres humanos, desperdiçamos parte desta vida em ocupações sem sentido, como “quando uma fortuna principesca cai nas mãos de um mau senhor e é esbanjada num instante. Mas se uma fortuna, modesta que seja, for entregue a um bom guardião, ela aumenta à medida que é usada. Portanto, o nosso tempo de vida torna-se amplo quando cuidado de forma devida”.
Séneca distingue em viver e “passar o tempo” e, neste sentido, é necessário afastar-nos dos vícios para encontrarmos o verdadeiro “eu”. O filósofo segue diferenciando os que se deixam consumir por ambição, prazer, vaidade ou obrigação, e os que constroem uma existência intencional. O ócio virtuoso não se trata de preguiça ou lazer vago, mas de retiro consciente para uma reflexão filosófica e auto-aperfeiçoamento — uma das vias mais seguras para viver bem. Recorda-nos que o tempo é o bem mais valioso, e que a sabedoria consiste em preservá-lo e direccioná-lo para o que realmente importa.

“Sobre a Brevidade da Vida” é um texto retórico onde o ethos e o páthos se cruzam, persuasivo e esclarecedor, que recorre a casos históricos – Diógenes, Zenão, Tito Lívio, Cícero, entre outros – para ilustrar como se desaproveita tempo e a sua fragilidade.
Um texto ético que se mantém actual e pertinente, para reflectir os dias em que vivemos e a vida quotidiana, a qual deverá ser vivida com simplicidade – mas com muita qualidade. Deveremos agir para que o vazio seja substituído por uma consciente e virtuosa vivência do tempo. Do nosso tempo. Da nossa vida.











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