“Este livro foi inspirado por um conflito. A saber, a guerra interminável entre mim e a minha mãe”. Palavra de Trevor Noah, o escriba de “A Beleza da Erva por Cortar” (Iguana, 2025), um álbum infantil de capa dura que conta com ilustrações de Sabina Hahn, que recorre a cores suaves e faz uso do espaço em branco com uma simplicidade tremenda, movendo-se entre o lápis de cor e a aguarela.

Uma fábula que nos dá a conhecer o desejo de um rapaz de ir para além dos limites da sua casa, para lá do mundo que conhece, na companhia de Walter, o “urso velhinho” que adorava sonhar – sobretudo com panquecas – e que aqui age como a voz da consciência, um anjinho bom que trata de fazer com que o rapaz desça à terra, enquanto caminham “para o meio das ervas por cortar!”.

A partir do momento em que ultrapassam um portão enferrujado, “velho e deformado”, guardado por um gnomo de jardim com ares de filósofo – “Todas as pessoas são um obstáculo, a menos que tentemos compreendê-las” -, irão embarcar numa história que os colocará entre o medo e a determinação, a sede de descoberta e a certeza do conforto, alimentando uma amizade e descobrindo, pelo caminho, o sentimento de pertença: “Se ainda lhe chamas casa, podes sempre voltar”.











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