Poderá uma série mangá sobreviver, vários volumes, sem a presença do seu protagonista? Parece bem que sim, como podemos comprovar em “One-Punch Man 21” (Devir, 2025), onde Saitama preenche por completo a capa sem dar sinais de vida no interior das páginas.
Como sempre, este volume abre com uma dupla dissertação autoral, um mimo quase diarístico que é já um preâmbulo a cada nova aventura: One diz estar “muito contente porque abriu um café espaçoso a cinco minutos a pé de onde moro. É ainda melhor porque costuma estar vazio nos dias de chuva!”, enquanto Murata prefere partilhar o cultivo de tomate, algo que considera “engraçado, porque uma pessoa acaba por descobrir muitas coisas novas no processo”.

Depois do sempre útil e bem espremido resumo, mergulhamos na batalha decisiva entre a Associação de Monstros e os heróis da classe A, cabendo aos membros da classe S livrarem-se dos monstros e infiltrarem-se no subsolo, tudo para salvarem o insuportável e mal-agradecido Mimadou, um pequeno Venturinha que mostra que a (des)educação começa mesmo em casa: “O meu papá disse que os heróis deviam esforçar-se mais porque vivem à custa do dinheiro das pessoas”.
Uma oportunidade de ver em acção personagens como o incrível e subtil Flash Faiscante, o leva-tudo-à-frente Lustre Negro ou o Prisioneiro Puri-Puri, capaz de lançar tiradas tão provocadoras como “podem apaixonar-se por mim. Não precisam de se afastar tanto”; ou o miúdo dos chupa-chupas, mais conhecido como Imperador Virgem, que terá de sacar de todos os trunfos para derrotar o Homem-Fénix. Tudo isto enquanto Gyoro-Gyoro vai tomando notas, num exercício de puro benchmarking para a equipa dos maus da fita.

Mais um volume sem Seitama que, a dado momento, lança para o ar um twist que pode bem ser a pista com que abrirá o próximo volume: “Ultrapassar um encontro infernal com a morte é o segredo para o crescimento exponencial dos monstros”.











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