Quinze volumes depois, Tatsuya Endo continua a descobrir ases num baralho que continua a revelar-se uma verdadeira caixa de surpresas. “Spy Family 15” (Devir, 2025) abre, como sempre, com uma dissertação do autor, desta vez percorrendo os átomos da atmosfera existencial: “Não sou pessoa de ter grandes planos para o futuro nem desejos muito fortes. A única coisa de que gostaria mesmo era de ir à Lua um dia. Gostava de me sentar na superfície lunar e ficar a olhar para a Terra, distraído”.
Este esmerado volume promove um mergulho olímpico ao passado, tudo para contar a história do amor não cumprido entre Henry Hendersson, agora professor no Colégio Eden, e Martha Marriott, governanta da família Blackwell. Uma história atravessada pela guerra, um salvamento inesperado e uma fuga, que deixa no ar uma interrogação sobre o sentido da guerra: “Não foi uma vitória. E tampouco uma derrota. Afinal, de que serviu a nossa luta?”. Ou ainda um regresso que dá de caras com o inesperado, fazendo com que Martha, que aqui conta a história a Becky, tivesse pensado então: “E assim terminou a minha juventude”.

Quanto a Anya, capaz de carregar com a série às costas se essa for a sua missão, parte em busca da foca Belzinha, que se separou de um grupo em migração para o sul durante a época de reprodução – e que Anya vê como “uma versão do Bond sem pêlos”. Já Damian, abandona por momentos o modo rato de biblioteca para uma escapadinha pela natureza com amigos… e respectivos mordomos, encarregues de cozinhar na hora para uma canalha mimada.
O leitor senta-se à mesa com a família Desmond, uma mansão onde um jantar nunca é apenas um jantar – com um silêncio de toneladas que parece inamovível, mesmo por uma grua -, acompanha a guerra de amigos entre Anya e a mãe e conhece também o curioso passatempo de Melinda, numa ida a uma Feira de diversões onde parece caber o mundo inteiro de Spy Family. Uma senhora festa de volume.











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