Uma prescritora de livros, receitas milagrosas para acalmar a alma dos inquietos e entreter os que procuram novas experiências. É esta a premissa de “Confissões de uma Livreira” (Casa das Letras, 2025), livro da japonesa Nanako Hanada.
Na sua viagem de auto-descoberta – após o fim do casamento e de se sentir desolada com o seu trabalho -, a personagem principal desta história decide recomendar livros a estranhos, através de uma aplicação de encontros. Se a génese desta App nada parece ter a ver com literatura, Nanako encontra “Perfect Strangers” que parecem apreciar as suas sugestões.
Depois de 50 encontros e títulos literários, Nanako permanece insatisfeita. Apesar destes “dates” fazerem já parte da sua vida, e de ter conhecido pessoas interessantes, a livreira sente que ainda não conseguiu fazer a diferença na vida das mesmas. “Terão lido os livros que sugeri? Terão gostado dos mesmos? Era destas obras que precisavam?”, questiona-se de forma constante.

Ainda assim, as inseguranças de Nanako não a impedem de testar novos métodos, tentando encontrar uma forma de fazer com o que o seu dom chegue a quem dele necessita. Esta personagem irreverente aprimora, ao longo da narrativa, a capacidade de ler os interesses e medos dos outros apenas numa conversa de 30 minutos. E, se no final dos encontros muitos esperam um beijo apaixonado, aqui encontram uma sugestão literária personalizada – algo bem mais pitoresco e apimentado.
Sabe a pouco a escrita de Nanako, para o muito que promete a história. A ideia da obra é interessante, mas não conseguimos estabelecer uma ligação com as personagens, sentindo que certos detalhes da história são introduzidos de forma forçada e pouco consistente.
Um pequeno livro com uma bola vermelha no canto superior direito para os não leitores, não se adequando de todo a quem não gosta mesmo de ler. Só quem gosta de obras literárias consegue infiltrar-se nesta trama e procurar, tal como Sherlock Holmes, descobrir o verdadeiro fado desta vendedora e consultora de livros.











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