Continua a bom ritmo a publicação da série de formação escrita e desenhada por Inio Asano, protagonizada por um jovem em busca de uma identidade – e mais qualquer coisa. “Boa Noite, Punpun 4” (Devir, 2025) mostra-nos, através de um passeio pelas estações do ano, um tipo mergulhado de cabeça numa tina de depressão: “Punpun não gosta do verão por ser quente. Mas, quando o inverno chega, ele também não gosta do inverno por ser frio. Ou seja, a altura que ele mais detesta é o agora”.

Com a morte da mãe, Punpun descobre que era ela que, durante anos, escrevia qual ficcionista as cartas que recebia do pai, mas ainda assim não consegue perdoá-la. Pai que reaparece passados vários anos, querendo que Punpun vá viver com ele, um convite rejeitado por um teimoso Punpun que prefere abraçar a solidão de um apartamento só para si. Um apartamento que, como não podia deixar de ser, carrega em si toda uma mística: “O senhor que morava naquele quarto morreu lá dentro”. Uma aura de negrume que Punpun resolve ainda assim abraçar, deixando no ar uma promessa: “Se, daqui a dois anos, no momento de renovar o contrato, nada tiver mudado, ele irá matar-se”.
Aiko continua a ser um espinho cravado no mais fundo da sua existência, mas o surgimento de Sachi, uma miúda das artes e com pouco filtro, irá abalar a vida de Punpun, convidado a escrever um argumento para os desenhos desta rapariga-mistério. O primeiro rascunho não é muito bem recebido, mas serve para Inio Asano brincar com o seu próprio ofício: “Tentas impressionar demasiado nos diálogos e as personagens são muito básicas. Até parece um mangá!!”.

Há, pelo meio, personagens como Yumi Numata, artista musical a caminho de se tornar uma contabilista pública certificada – e que acaba por ficar com a alcunha de Princesa Vagina; Mumuta, o rei do ramanço que prefere chamar Onoty a Punpun; ou Midori, que vai tomando conta de Punpun à distância, seja escolhendo os móveis que terão de sair de casa da mãe deste ou enviando-lhe um telemóvel para estarem à distância de um telefonema. O final promove um regresso mais ou menos inesperado, prometendo colocar Punpun entre a espada e a parede emocional – e dar ainda mais nós à cabeça do leitor, há muito perdido no labirinto construído por Asano.











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