Em tempos onde a Inteligência Artificial vai alimentando páginas de jornal, redes sociais, debates e até conversas de café, M. L. Vieira aponta metaforicamente à clonagem, oferecendo um olhar sobre a condição humana que poderá ser resumido na frase de abertura, pertença da enorme Margaret Atwood: “Um rato num labirinto pode ir onde quiser, desde que continue dentro do labirinto”.

Num universo onde todos os clones foram feitos para trabalhar, 2518 parece ser uma excepção, dotada de um livre arbítrio conquistado para lá das definições de fábrica – uma fábrica na qual trabalha, entre silenciosas fotocópias de si próprias. 2518 sonha com sair de uma rotina triangular constituída por sonhar, acordar e trabalhar, mas os seus desejos esbarram na administração que a vê com precisar de reparação.

Com “Danificada” (Iguana, 2025) M. L. Vieira escreveu – e desenhou – um livro político com linguagem poética, opondo trabalho a imaginação através de ilustrações algo monocromáticas – higienizadas talvez seja um melhor adjectivo -, com vislumbres de aguarela, talvez para cumprir o desejo de mostrar a eficiência de uma linha de montagem, metáfora perfeita para a imposição da cessação do espírito de rebeldia.











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