A edição 2025 do Porto/Post/Doc, que irá decorrer entre os dias 20 e 29 de Novembro, anunciou o foco na obra de dois cineastas que, a partir de geografias e percursos distintos, exploram as relações entre memória, história e identidade: a franco-argelino-palestiniana Lina Soualem e o romeno Andrei Ujică. A par dos programas centrados na sua filmografia, os realizadores apresentarão ainda uma selecção de obras escolhidas por si. Tanto Ujică como Soualem estarão no Porto em Novembro para apresentarem os programas e orientarem masterclasses sobre os respectivos processos de trabalho.
Nascida em Paris em 1990, filha de pai argelino e mãe palestiniana, Lina Soualem é uma cineasta e actriz cuja obra espelha, com rara sensibilidade e lucidez, as camadas de pertença, dor, silêncio e resistência que atravessam o seu passado familiar e os territórios colonizados de onde descende. Ao escutar e recolher estas histórias, a cineasta lança pistas para a história colectiva dos povos que foram colonizados, silenciados e deslocados. Um cinema humano que revela – a partir das histórias reais de amor, exílio, identidade e pertença – as cicatrizes da geopolítica. O programa inclui as suas duas longas-metragens documentais — “A Sua Algéria” (2020), estreia no Visions du Réel e premiada em diversos festivais, e “Bye Bye Tibériade” (2023), estreada em Veneza e distinguida internacionalmente —, bem como uma carta branca com escolhas pessoais, a série “Oussekine” (na qual colaborou como editora de argumento) e a curadoria da secção Cinemateca Ideal dos Subúrbios do Mundo.
O festival apresenta ainda um foco integral na obra de Andrei Ujică (Timișoara, 1951), autor cuja filmografia se afirma como um dos mais relevantes laboratórios críticos do cinema europeu. A sua obra, que inclui títulos fundamentais como “Videogramas de uma Revolução” (1992, em colaboração com Harun Farocki), “Fora do Presente” (1995), “A Autobiografia de Nicolae Ceaușescu” (2010) e “TWST: Coisas Que Dissemos Hoje” (2024), reflecte sobre a forma como o arquivo, a televisão e os media moldam a percepção colectiva da história e expõem as tensões entre imagem, poder e memória. O programa sublinha a atualidade do seu pensamento num contexto marcado por guerras de informação e por um ceticismo crescente em relação aos arquivos.
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