Em tempo de rentrée, damos um salto aos Açores para saber aquilo que a Companhia das Ilhas irá publicar até final deste ano.

Livros nanook (chancela da Companhia das Ilhas criada em Janeiro deste ano)
Setembro
TS Eliot: “Terra Inóspita”
Tradução e apresentação de Vergílio Alberto Vieira
Demanda histórica, linguística, e geracional, duma identidade poética que medeia as duas guerras mundiais, a obra de T.S. Eliot, e em particular The Waste Land (1922), pedra angular, e culminação geracional da poesia europeia contemporânea, mercê do engenho com que venceu limitações formais – assinaladas por W. Benjamin na língua própria, e noutras – congregou fontes, simbologias e dispositivos fracturantes, pode (e deve) ainda hoje ser entendida como paradigma de estratégias únicas ,expedientes cujo carácter filosófico-religioso (seu ethos) fizeram do poeta de Four Quartets (1943): verdadeiro portador de esperança duma humanidade, e condição humana, ciclicamente ameaçadas.
Pierre Loti: “A Canção dos Velhos Esposos”
Tradução e apresentação de Miguel Martins. Ilustrações de Ana Roque
Creio que o primeiro livro de Loti que li foi Pescador da Islândia. A sua Bretanha era, para mim, exótica o bastante. Mas só os títulos do seu orientalismo, hoje tão criticável (o que tanto me dá), vieram a cativar verdadeiramente o meu desejo de escapist entertainment, de fuga à realidade circundante, sob a forma de outros espaços e tempos, ainda que caricaturais e eurocêntricos (sim, sou desses, pelo menos quando se trata de ficção e, mais especificamente, de ficção fin de siècle). A Ilha de Páscoa, então, foi um encanto, complementando as narrativas de Jacques-Yves Cousteau, Thor Heyerdahl ou Francis Mazière que lera na adolescência. E, décadas volvidas, quando este conto me veio parar às mãos, estando temporariamente sem trabalho tradutório remunerado, lancei mãos à obra (quem dera que a tradução pudesse ser sempre feita assim, mas há a pequena questão do almoço e do Euromilhões que teima em não chegar…). Espero que se divirtam a lê-lo. Nem sempre é preciso mais do que isso, sobretudo se não se for um chato da pinica, se me é permitida a expressão brejeira. E, já agora, espero que apreciem as ilustrações com que a Ana nos enriqueceu o prazer da leitura. É tudo. Chega? É que, quanto ao estruturalismo, por exemplo, não se me oferece dizer nada. Nadinha. [Miguel Martins]
Outubro
Anónimo: “A Mulher que Adoraca os Insectos e Outros Contos Curtos Japoneses dos Séculos XI e XII”
Organização, tradução e apresentação de Joaquim M. Palma
Entre os anos de 794 e 1185 ‒ espaço de tempo que corresponde ao período Heian na história do Japão ‒, as artes, nomeadamente a literatura e a pintura, atingiram um extraordinário esplendor, com repercussões, em séculos seguintes, na mudança radical do panorama cultural nipónico E foi nessa atmosfera de elevada e profícua criatividade literária que surgiu a colectânea Tsutsumi Chunagon Monogatari [Histórias do Conselheiro da Beira-Rio], composta por dez pequenos contos e um texto sob a forma de fragmento pertencente àquele que seria o décimo primeiro conto. Desconhece-se o nome de quem realizou a compilação. A autoria de cada relato é também ela anónima, excepto a que diz respeito ao conto Osaka Kouenu Gonchunagon [O Conselheiro que não Chegou à Colina dos Encontros], que se veio a descobrir, já no século XX, ser da poetisa Koshikibu, devido a uma referência com indicação de autor encontrada numa outra colectânea. Pelas suas características formais e estilísticas, eles poderão ser considerados os relatos breves ficcionais mais antigos da história literária da humanidade, centrados quase na totalidade em uma única situação ou num só personagem. De entre eles, seleccionámos cinco narrativas para fazerem parte desta antologia em língua portuguesa, a que juntámos, no final, o fragmento do décimo primeiro conto. As breves narrativas que integram a antologia estão escritas numa prosa simples, directa e descomprometida, e nela pontuam breves poemas ‒ no formato tanka ‒ também eles harmonicamente entretecidos com o corpo do texto. Em suma, estes relatos curtos são o testemunho de um viver aristocrático que estava prestes a entrar num caminho de declínio, mas que, naqueles trezentos anos dourados, conseguiu viver em sossego e concórdia, fazendo uso espontâneo de uma criatividade aplicada aos mais variados níveis do quotidiano, numa cidade que foi buscar o seu nome à paz e à tranquilidade.
Novembro
Carlo Michelstaedter: “A Persuasão e a Retórica”
Tradução de Miguel Serras Pereira
A 17 de outubro de 1910, um estudante de Filosofia de 23 anos chamado Carlo Michelstaedter enviou a sua tese recém-concluída para a Universidade de Florença. Pegou depois numa pistola e pôs fim à própria vida. A tese, intitulada “Persuasão e Retórica”, viria a ser um dos mais importantes e enigmáticos tratados filosóficos do pensamento italiano do século XX. Para Claudio Magris, Michelstaedter era a “estrela-guia” da sua obra. Os homens vivem sempre a pensar num futuro que nunca chega, ansiando mais por ter vivido do que por viver. Opondo-se a isto, está a persuasão — “a posse presente da própria vida” — contrária à retórica, a todo o muro de conhecimento, instituições políticas e sociais, códigos morais etc., que os seres humanos constroem para diluir a sua própria experiência de vida.
Livros Companhia das Ilhas
Setembro
Miguel Serras Pereira: “De Súbito no Avesso da Mamória”
Prefácio de Fernando Pinto do Amaral
Paulo Rodrigues Ferreira: “Onde Não Sou é que que Começo”
Henrique Garcia Pereira: “Memórias do Século XX para a Contestação Satírica da Ordem Vigente no Século XXI”
Diniz Conefrey: “Estância do Sino Coberto”
Outubro/Novembro/Dezembro
Dennis Kelly: “Os Órfãos”
Eduarda Chiote: “Vira Bicho”
Yvette K. Centeno: “Recomeço”











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