No início do século XX, Fritz Haber descobriu como retirar nitrogénio do ar. Resultado? A fertilização sintética das plantações e um aumento exponencial da população mundial. Mas Haber também foi um dos responsáveis pela criação do Zyklon B, veneno à base de cianeto utilizado no Holocausto. Ao longo desse século, lutas, convenções e debates aconteceram sobre a relatividade geral, na qual Einstein ou Schwarzschild estiveram envolvidos para a determinação definitiva do seu significado e importância. Grothendieck, matemático, possuía uma mente de tal forma excepcional que, a certa altura da sua vida – reconhecendo o risco do seu trabalho para o futuro da humanidade -, reformou-se e afastou-se da matemática, tornando-se jardineiro nos Pirinéus e ordenando que todo o seu trabalho não publicado fosse destruído. Uma inquietação sentida também por Descartes, Heisenberg, Louis de Broglie, Schröndinger e outros mais.
Até onde pode a Física levar a humanidade? À sua salvação, ou à sua condenação? De que forma está ela presente no planeta e na nossa História, e quais poderão ser os seus efeitos? Em “Um Terrível Verdor” (Elsinore, 2020) Benjamín Labatut faz uma incursão pela história das ciências modernas e discorre sobre a sede do conhecimento e da curiosidade animal que moveu alguns dos maiores cientistas do século passado.

Labatut observa e atenta na reclusão de qualquer meio social para viver atrás de uma secretária, a tentar desvendar os grandes segredos do universo, com ideias que fervilham e uma paixão inamovível e aguerrida, para a compreensão de tudo, da ordem – ou da falta dela («Deus não joga aos dados com o universo», como defendeu Einstein) – e do funcionamento de tudo, a todos os níveis. Mostra-nos, também, como personalidades imensas, com pensamentos extraordinários, foram sendo levadas ao fundo de tudo o que existe, à base da sua sanidade mental e das suas vidas, em prol de tudo, de todos.
Finalista do International Booker Prize e do National Book Award, e apontado como um dos melhores 10 livros do ano de 2021 pelo New York Times Book review, “Um Terrível Verdor” é de leitura obrigatória, e só peca por ser curto.











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