“O Tigre que Veio para o Chá” (Fábula, 2025) é um clássico da literatura infantil, escrito e ilustrado por Judith Kerr em 1968. Trata-se de uma narrativa profundamente encantadora, envolvente, criativa, ternurenta e plena de humor. Tornou-se um dos contos infantis mais populares do mundo, traduzido em muitas línguas, chegando a ser adaptado para teatro e televisão.
“Esta é a história de uma menina chamada Sofia que estava a lanchar com a mãe na cozinha. De repente, ouviram tocar a campainha. – Quem será? – disse a mãe da Sofia”. O leiteiro não podia ser, porque já tinha vindo pela manhã. O rapaz da mercearia também não. O pai tem a chave de casa, e não necessitaria de tocar à campainha. Afinal, quem seria? Sofia abriu a porta e, surpresa! Apareceu um tigre que lhe disse: “– Peço desculpa, mas estou cheio de fome. Seria possível lanchar com vocês?”. Será que a Sofia e a mãe deixaram o Tigre entrar e lanchar?

“O Tigre que Veio para o Chá” não é apenas a história de um tigre esfomeado que devora tudo o que encontra; é, sobretudo, um convite à imaginação e ao absurdo, indispensáveis ao universo das crianças.
O ritmo da narrativa é hipnotizante, envolvendo os leitores num diálogo sobre a hospitalidade, a partilha e a capacidade em lidar com os imprevistos. A criatividade é transversal a toda a narrativa, cabendo a cada leitor o exercício de imaginar como seria lanchar com um tigre. Que lhe daria para comer? E o chá, seria suficiente? A ilustração tem um poder transformador, permitindo despertar deslumbramento e carinho pelo majestoso tigre em vez de medo. Um livro maravilhoso, que deveremos dar a ler para encantar leitores.

Judith Kerr nasceu em Berlim, em 1923, e faleceu em 2019, em Londres, onde vivia há vários anos. O seu pai, um famoso escritor alemão e feroz crítico do regime nazi, temia sofrer represálias caso Hitler subisse ao poder, pelo que fugiram da Alemanha quando Judith tinha apenas nove anos. Judith, os pais e o irmão atravessaram a Suíça e a França e, em 1936, chegaram a Inglaterra. Foi aí que a autora escreveu a história semi-autobiográfica “Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa”, publicada pela primeira vez em 1971, considerada um clássico da literatura infanto-juvenil. Em 1945, Judith ganhou uma bolsa para a Central SchoolofArts e, desde então, trabalhou como artista, guionista de televisão e, ao longo dos últimos trinta anos, como autora e ilustradora de livros infanto-juvenis. A tradução é da reconhecida autora Carla Maia de Almeida.











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