“Muzinga? Esse tipo não vale nada, já dizia o meu avô”. Esta não será, muito provavelmente, a melhor frase para se escrever num cartão-de-visita, a que se juntam outras características a ele atribuídas – qual feed de rede social – como irrequietude, propensão para ser implicativo ou uma cabeça tão cheia de conhecimentos que, invariavelmente, tende para a implicação – com os outros, claro.

Escrito e desenhado a preto e branco por André Diniz,um dos mais premiados autores brasileiros de banda desenhada, “Muzinga” (A Seita, 2024) conta-nos a história de um tipo que diz andar por cá há pelo menos 200 anos, coleccionando aventuras e recusando-se a colocar um ponto final no percurso terreno. Como diz repetidamente, “morrer é um acto de generosidade”, sentimento nobre que não lhe pertence.

André Diniz mergulha o leitor numa história sobre a alma, a linguagem e a escrita, que surge aqui como “a forma mais poderosa de vencer o tempo”, mas esta novela gráfica vale bem mais pelos desenhos do que pela trama.











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