A Antígona recarregou a serotonina e, para esta rentrée, promete livros que espicaçam mentes, mudam vidas e semeiam liberdade. Eis a colheita prometida até final deste ano.

“Os Vigilantes – Cinco vigias em torno das fronteiras” | Taina Tervonen
Tradução: Luís Leitão
Género: Relato/Reportagem
Lançamento: Já nas livrarias
Os mortos e os desaparecidos nas fronteiras não são uma fatalidade, mas a consequência de opções políticas feitas em nosso nome. “Os Vigilantes” (2025), a estreia em Portugal da jornalista Taina Tervonen, aborda a questão dos migrantes que atravessam o Mediterrâneo e dá voz a um grupo que, entre a França e o Senegal, acompanha estas viagens de risco e regista a memória dos que pereceram.

“Meninas e Instituições / Desejo Cinzas à Minha Casa” | Dária Serenko
Tradução do russo: Larissa Shotropa e João Maria Lourenço
Género: Prosa literária
Lançamento: Já nas livrarias
“Meninas e Instituições” (2021) é o retrato afectivo de uma geração de funcionárias na máquina estatal de Putin, uma realidade que Dária Serenko conheceu de perto e que aborda com ironia, raiva e humor: a miríade de tarefas absurdas, a misoginia e o assédio dos superiores, em bibliotecas, museus e noutras instituições, mas também a solidariedade que une estas mulheres. “Desejo cinzas à minha casa” (2022) narra a experiência da autora numa prisão russa, na véspera da invasão da Ucrânia, e converte-se numa reflexão sobre o horror da guerra, a instrumentalização da morte, o exílio e a identidade.

“Sexografias” | Gabriela Wiener
Prólogo: Camila Sosa Villada
Tradução: Guilherme Pires
Género: Crónicas
Lançamento: 22 Setembro
Este livro é uma criatura com os seus próprios caprichos, que conhece bem o caminho para o êxtase, que se entristece e perde o controlo como qualquer um de nós. Sexografias não pede clemência, mas exige que, enquanto leitores, não sejamos mesquinhos para com os corpos. Se a escritora vende assim a sua alma ao diabo pela palavra, porque não havemos de responder com a mesma entrega?

“Jardins Perfumados Para os Cegos” | Janet Frame
Tradução: Paulo Faria
Género: Romance
Lançamento: 6 Outubro
Em 2025, com o romance “Jardins Perfumados para os Cegos”, a Antígona recupera a obra de Janet Frame, que fez da literatura uma estratégia de sobrevivência, vencendo estigmas sociais e reescrevendo a sua história como uma das maiores autoras neozelandesas do século xx. Em 2026, chegarão às livrarias os seus melhores contos, seleccionados e traduzidos por Paulo Faria.

“Marcas de Batom – Uma História Secreta do Século XX” | Greil Marcus
Tradução: Helder Moura Pereira
Género: Ensaio
Lançamento: 20 Outubro
Enciclopédia da subversão e da revolta, um livro no qual se cruzam os Sex Pistols, Debord e os situacionistas, dadaístas e gnósticos da Idade Média. Inclui uma nova introdução e bibliografia actualizada pelo autor.

“Capitalismo Canibal” | Nancy Fraser
Tradução: Miguel Serras Pereira
Género: Ensaio
Lançamento: 3 Novembro
Livro imprescindível para quem quer compreender o capitalismo contemporâneo, omnívoro e alarve, e que representa uma aturada síntese do labor investigativo de Nancy Fraser. Se à crise climática actual acrescem crises económicas sucessivas e hostilidades face a minorias, “Capitalismo Canibal” (2022) traça a linha que une todos os pontos: um modelo económico devorador, destinado a envenenar a prática política e a arruinar a nossa capacidade de cuidar dos outros.

“A Universidade de Rebibbia” | Goliarda Sapienza
Tradução: Manuela Gomes
Género: Romance
Lançamento: 17 Novembro
Depois de “Carta Aberta”, a Antígona prossegue a publicação do ciclo biográfico da autora – a «autobiografia das contradições». “A Universidade de Rebibbia” (1983) é o relato literário dos meses de reclusão que a autora passou numa prisão feminina no nordeste de Roma e uma comovente homenagem a mulheres rebeldes e inconformadas. Um duro retrato do quotidiano atrás das grades e a descoberta, entre risos, lágrimas e silêncios partilhados, de uma nova vida em comunidade, menos fria e indiferente do que a existência em sociedade.











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