Escrito e desenhado por Osvaldo Medina, “Fojo” (Kingpin Books, Comic Heart e A Seita, 2025) é uma das mais recomendadas edições nacionais de banda desenhada a chegar às livrarias este ano. Antiga armadilha de caça, utilizada outrora para capturar lobos, corços, ursos e outtros tipos de animais de grande porte, Fojo funciona aqui como um símbolo de uma história atravessada pela crendice, a superstição e segredos que parecem pesar toneladas.

A acção tem lugar sob um frio cortante, numa aldeia da montanha quase isolada da civilização. Os lobos uivam sem descanso, como que adivinhando um cenário em que a morte se instala, parecendo chegar de um lugar que parece estar possuído. A primeira vítima é uma mulher, que apresenta no corpo uma dentada feita por uma pessoa.

Da galeria de personagens constam Rui, amante de Luísa e marido de Lúcia – que sabe dos rabos de saia que este usa -, um tipo para lá do execrável; uma mulher que faz as vezes de bruxa e vidente, e que vai sabendo de tudo através dos olhos de Barrabás, um ameaçador bode preto, capaz de resumir o estado anímico de uma aldeia em frangalhos – “O mal corre espesso nesta aldeia”. A aldeia reúne-se em peso, decidida a descobrir o assassino que mais parece um fantasma silencioso, e que acaba por ser visto usando uma máscara de careto.

As ilustrações de Osvaldo Medina são surpreendentes, muitas vezes a fazer lembrar um cuidado storyboard onde sobressaem pequenos apontamentos de vermelho, referindo-se sempre `presença do mal e ao pior que o mundo tem para oferecer. O traço é grosso, muito expressivo, em desenhos onde não há qualquer sombra de imperfeição. Uma história de superstição e abuso, crenças e vingança, onde Medina brilha – e de que maneira – nesta sua primeira aventura a solo.











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