É uma das mais icónicas imagens da banda desenhada: Snoopy, deitado de costas na sua casota vermelha, de olhos fechados e com uma das orelhas caídas. Uma imagem inventada por Schulz, o criador do universo Peanuts, do qual Snoopy é uma das mais emblemáticas personagens.

“Volta, Snoopy!” (Iguana, 2025) é mais um álbum publicado pela Iguana, no ano em que se comemoram 75 do nascimento de Peanuts. Aqui, Snoopy trata de defender a casota como o seu reino pessoal, um reino que vai sobrevivendo ao sol, à chuva, às mudanças de humor e aos visitantes mais ou menos indesejados, que teimam em aparecer mesmo sem convite.
Neste quadrado álbum de vinhetas soltas, que reúne uma selecção publicada em jornais entre 1962 e 1965, Snoopy inventa uma noção trocada de “novos horizontes”, reúne uma bola colecção de ossos para trocar por uma pista de bowling, descobre o segredo da felicidade – “reduzirmos as preocupações ao mínimo” -, enfrenta a ameaça da construção de uma auto-estrada, partilha o seu gosto musical por “polcas, marchas escocesas e valsas”, insurge-se contra o nível de colesterol e, pelo caminho, deixa-nos com um exemplo da poesia de Peanuts: “Quando era novo, costumava uivar para a lua todas as noites. Era um bárbaro e ignorante naquela altura mas divertia-me muito. Agora nunca me divirto e continuo a ser ignorante!”.

Esperemos que a Iguana ganhe balanço e, em breve, edita a obra completa de Peanuts. Não custa sonhar.











Sem Comentários