“A esperança pode levar as pessoas a fazerem coisas terríveis”. Publicado em 2024 pela Secret Society, “Inquebrável” (Secret Society, 2024) é o segundo volume de Shatter Me, a tão amada série de Tahereh Mafi. Em “Intocável” (ler crítica), havíamos conhecido Juliette, a sua realidade, e acompanhado a sua fuga do Restabelecimento, bem como a promessa feita de o destruir.
Nesta continuação, Juliette encontra-se no Ponto Ómega, onde percebe que afinal não é a única com habilidades extraordinárias, recebendo conforto e refúgio destes seus novos companheiros. Ao mesmo tempo, vai lidando com o novo conhecimento de que Warner é também imune ao seu toque letal, quando pensava que Adam era o único com esta capacidade. O objectivo da rebelião está também traçado: destruir o Restabelecimento e restaurar o mundo tal como era antes.
Mais uma vez, a escrita é bastante simples e de leitura rápida, mas existem alguns aspectos em que a série deixa a desejar. Embora significativamente melhor do que o seu antecessor, “Inquebrável” continua a falhar: o mundo continua bastante subdesenvolvido e as personagens não obtêm grande desenvolvimento – excepção feita a Juliette, apesar da mudança não ser assim tão significativa. No entanto, é neste livro que surge a melhor personagem – e talvez elemento – da série inteira. Kenji, que havia sido introduzido no livro anterior, brilha realmente neste, trazendo o humor e a personalidade que faltavam, sendo apenas natural ansiar-se por cenas que contem com a sua participação.

Apesar de a história se passar essencialmente no mesmo espaço, não se torna entediante quando poderia ser facilmente o caso, para além de encontrarmos uma exploração de dinâmicas como as entre Juliette e Warner: “Odeio sentir-me suficientemente segura para falar tão livremente com ele. Odeio que, entre todos, o Warner seja a única pessoa com quem posso ser completamente honesta”.
A escrita também melhora, e podemos encontrar passagens tão poéticas como esta: “Somos sinónimos, mas não somos iguais. Os sinónimos conhecem-se como antigos colegas, como amigos que viram o mundo juntos. Partilham histórias, falam sobre as suas origens e esquecem que, apesar de serem parecidos, são completamente diferentes e, apesar de poderem partilhar um determinado conjunto de atributos, um nunca poderá ser o outro”.
Um segundo volume que deixará os leitores desejosos em relação ao próximo, com o seu final inesperado e cheio de revelações.











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