Os camaleões pertencem à família dos lagartos. Há quem os adore por lembrarem os seres fantásticos de tempos antiquíssimos, ou por se assemelharem aos dragões. Há quem fique maravilhado com o seu semblante [quase sempre] colorido e a sua capacidade de camuflagem, ao mudarem de cor, mas também há quem os considere bichos bizarros de olhos grandes e telescópicos, que se movem em todas as direcções com o corpo coberto de escamas, pernas curtas e uns cornichos na cabeça imóvel.
Nesta divertida história há um camaleão que não gosta da sua aparência. Considera-se feio, sonhando com ser esbelto como a girafa, ter uma longa juba de leão e uns belos olhos de gazela. A realidade, porém, contraria o sonho: é um camaleão e será difícil de mudar de aspeto. Vivia então infeliz, não conseguindo encontrar alegria na vida. Será aparência assim tão importante? Não terá ele outro tipo de beleza?
Um dia ouviu falar de Sadio, uma feiticeira com poderes incríveis, e resolveu procurá-la. Depois de esta lançar os doze búzios, veio a surpresa. Afinal, o camaleão que se achava feio possuía grandes qualidades, de que ele próprio ainda não tinha tomado consciência.

“O Camaleão que se Achava Feio” (Orfeu Negro, 2024) é um livro mágico, alegre e bem-humorado. Um livro perguntador e um verdadeiro trampolim para um diálogo sobre a auto-imagem e as qualidades que possuímos – e, muitas vezes, desconhecemos.
A ilustração, de inspiração africana, usa uma paleta de cores fortes, quentes, e vigorosas: predominantemente amarelos, laranjas e verdes. O amarelo destaca-se, ampliando a ideia de sabedoria, energia e a riqueza. A cor laranja está associada ao humor, entusiasmo, amizade, equilíbrio, alegria e à confiança. Por último, o verde dá vida à natureza. Não deixa de ser curioso que, nas últimas páginas, a cor do camaleão se vá transformando junto dos outros animais de amarelo em cor de laranja e, por fim, em verde, um símbolo de que o camaleão vive no seio da Natureza, em plena harmonia e tranquilidade. Ao abrir o livro, o jovem leitor vê as guardas padronizadas, muito coloridas, que antecipam as cores que o camaleão poderá ostentar na sua arte de camuflagem.

Souleymane Mbodj conta histórias através da escrita e da música. Nasceu no Senegal e vive em Paris. Foi professor de literatura oral, canto e ritmos africanos. Tem uma carreira internacional como músico e compositor. Em 2020 foi nomeado Cavaleiro da Ordem do Mérito pelo Ministério da Educação Nacional de França.
Magali Attiogbé nasceu no Togo e vive em Paris desde os 3 anos. Estudou ilustração e tem vários álbuns publicados. Gosta de trabalhar em diferentes formatos, do jogo ao jornal. E, ainda, de cantar e costurar.











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