Longe parecem estar os tempos em que Dani e Dorian, depois de perderem o autocarro que os conduziria a mais um tranquilo dia de escola, se viram embrulhados numa profecia épica e sinistra, alvos da perseguição de meio mundo. Até o próprio mestre, um desconfiado por natureza, dá conta da agenda que manteve escondida mas que acabou por alterar: “A minha ideia era envenená-los antes que fizessem algo, mas… o plano é subir à rocha flutuante e trazê-los para casa!”. Bem-vindos a “Hooky 2” (Booksmile, 2024), segundo volume de uma série escrita e desenhada por Míriam Bonastre Tur, que começou por ser um webtoon e, após milhões de visualizações, acabou por chegar à boa vida da impressão.

Continuam as apostas sobre quem será o bruxo ou bruxa malvada, e por enquanto as casas de apostas vão mantendo o favoritismo nos manos Dani e Dorian. Para além de indicar que a grande prioridade é destruir o rei e coroar um bruxo que o substitua, a vidente de serviço diz ver “guerra, escuridão… uma coroa preta, a pingar… ouço gritos… e estrondos. E um nome… Wytte”.
É neste volume que nos é contada a malévola história dos pais e da tia dos gémeos, e do plano das bruxas de se livrarem de todos aqueles que não praticam magia. Em jogo entra também Damien, um novo membro da família Wytte, o que vem ajudar – e muito – a complicar as contas.

Dani muda de visual e mantém o desejo de se tornar uma pessoa normal, dado não se considerar “boa nesta coisa da magia”. O que talvez não seja bem assim, uma vez que vai mostrando uma capacidade inata para o desastre. Nada que um bom baile não resolva, ou uma noite romântica a… estudar poções. Nico mantém-se pequeno e no papel de outsider, e apenas Dani parece ter o poder de o devolver à forma normal, mas o medo de o matar é mais forte.
As ilustrações continuam a ser um bálsamo, nesta história de vingança familiar de duas crianças que tentam, sem o saber, fugir ao destino que lhes foi profetizado – ao mesmo tempo que constroem uma ponte entre a humanidade e os bruxos. O terceiro volume de Hooky está já disponível nas livrarias, numa altura que parece haver um novo rei no pedaço.











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