Marjolaine Leray não é uma novidade no catálogo da Orfeu Negro, editora que publicou já dois álbuns a solo desta ilustradora. Começámos por ser apresentados ao seu sentido de humor, dotado de um espírito doçura ou travessura, no álbum “Um Capuchinho Vermelho” (ler crítica), onde se atirou a um dos clássicos mais adaptados do universo dos contos e fábulas com muita originalidade e pinta, em ilustrações simples e minimalistas a duas cores. Em seguida veio “Abril o peixe vermelho” (ler crítica), álbum onde um peixe vermelho, muito vermelho, se deparava com grandes sonhos mas muito pouco espaço para os concretizar, servido com ilustrações a lápis de cor, letras desenhadas à mão e outros pormenores de grande refinamento. Já este ano chegou às livrarias “O Grande Grrrrr” (Orfeu Negro, 2025), livro onde as ilustrações de Marjolaine, pintadas de preto e cor-de-rosa, fazem dupla com o texto de Marie-Sabine Roger.

Grrrrr é, se acreditarmos no cartão-de-visita da empresa Grrrexpress, um estafeta veloz, profissional e encantador. Numa manhã como as outras, recebe a missão de entregar um “pacotinho, embrulhado com um lacinho”. Estaciona o carro, sai tranquilamente e, com muita delicadeza, toca à campainha. Não havendo resposta, decide tocar mais prolongadamente, juntando algumas pancadas na porta que, esbarrando num total silêncio, vão subindo de tom. Quando à frustração se vem juntar a chuva, a paciência de Grrrrr esgota-se num ápice, num momento de devaneio que conhecerá o seu epílogo com a chegada da dona da casa.

“O Grande Grrrrr” é um álbum divertido sobre sentimentos nobres como a empatia, que mostra não só que as acções implicam consequências mas, sobretudo, que há sempre lugar para a superação – mesmo quando a paciência é pouca e de curta duração. O traço a lápis, furioso e de ar inacabado, encaixa na perfeição com esta impaciente criatura, que aprende aqui uma valiosa lição. O livro ideal para oferecer a crianças (e adultos) impacientes.











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