É, arriscamos dizer, a melhor das edições da Devir neste 2025 ainda a meio. Com argumento de James Tynion IV – conhecido pelo seu trabalho em títulos como Batman, Something Is Killing the Children e The Department of Truth e vencedor de alguns Eisner, incluindo este mimo -, desenhos de Álvaro Martínez Bueno – reconhecido pelo seu trabalho em Detective Comics ou Justice League Dark – e cores de Jordi Bellaire, “A Bela Casa do Lago: Volume Um” (Devir, 2025) é um primeiro volume sensacional, uma história de andamento pós-apocalíptico visualmente sublime.
No centro de tudo, ainda que sob um manto de quase invisibilidade, está Walter, um tipo reservado, misterioso e ao que tudo indica poderoso, que ao longo de uma vida foi mantendo uma relação próxima com uma série de pessoas, que conseguiu aproximar mesmo que sendo de meios e universos sociais e profissionais bem distintos – há uma escritora, alguém dado à acupuntura ou um comediante entre o extenso lote. Pessoas essas que recebem um convite para passarem uma semana numa casa paradisíaca junto a um lago, que todos encaram como uma boa forma de pôr a rotina em pausa.


À chegada, percebem que Walter organizou a casa ao milímetro, atribuindo a cada um deles uma alcunha e um símbolo distintivo, ao mesmo tempo que lhes deixava uma mensagem: “Foi por isto que vos trouxe para aqui. Queria salvar-vos daquilo que o meu povo ia fazer ao vosso planeta”. Um salvamento do mundo exterior que, por esta altura, parece caminhar para a extinção, alvo de uma catástrofe de proporções inimagináveis.
Num confinamento imposto, as regras estão claramente definidas por Walter: “Têm esta casa incrível que construí só para vocês. E têm-se uns aos outros. Mas nunca poderão ir-se embora”. Cada um vai lidando com a situação de forma distinta, mas entre todos eles há algo em comum: ninguém se consegue lembrar se veio de carro ou de avião, ou de como chegou à casa do lago. Instalada a tensão, a única solução parece ser a de reaprender a viver, mas a vontade de descobrir o que esconde Walter parece bater mais forte, nuns mais do que noutros.

O argumento mistura a ficção científica com o terror ligeiro, um cenário pós-apocalíptico com o levantamento de uma série de questões éticas, o delírio mental com uma radiografia introspectiva, numa história sobre a amizade e o modo de se lidar com situações-limite, isto num mundo cada vez mais controlado. Um volume de estreia sensacional, que torna obrigatória a leitura do segundo – ainda sem data prevista de lançamento.











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