Depois de ícones da banda desenhada como Lucky Luke ou Blake & Mortimer terem sido alvos de adaptações modernas, também o icónico Corto Maltese, criação maior de Hugo Pratt, foi pedido de empréstimo por Bastien Vivès e Martin Quenehen, que o colocaram como figura central de “A Rainha da Babilónia” (Arte de Autor, 2024) – livro que sucede a “Oceano Negro”, da mesma dupla, também publicado pela Arte de Autor. Apesar de Corto ser facilmente reconhecível, a abordagem de Bastien Vivès está longe do traço fino e simples de Pratt, com muito mais tonalidades e (sobretudo) preenchimento.
De uma época de expedições, piratas e grandes impérios – os primeiros trinta anos do século XX, lugar do nascimento de Corto – viajamos até Veneza do ano 2002, subindo a bordo de um barco que acolhe uma festa onde tanto se avista “a camarilha de fatos mal cortados” – os novos generais sérvios – como os serviços de segurança iraquianos, sem esquecer os bósnios que tratam de ir espiando os sérvios.

No meio de tudo isto está o romântico Corto Maltese, tentando a sua sorte com Semira, que em nome da missão prefere deixar o romance para uma outra altura, acabando por se juntar a Celo, o seu amigo Bósnio, num reconhecimento sobre o tráfico dos Balcãs que se joga naquela noite.
Com muitos flashbacks e recuos temporais, viajamos dos canais de Veneza à costa edílica da Croácia e às ruínas da Babilónia, lugares onde o viajante Corto Maltese se move como um velho conhecido, dando de caras com amores perdidos ou amigos que ficaram pelo caminho, um eterno viajante em busca de algo maior. Afinal, como o põe a certa altura, “não sou um gato, sou um cão vadio”.

Numa história onde Veneza continua uma beleza, participamos num velório onde se contam adivinhas, procuramos o tesouro de Alexandre o Grande e recebemos de Cleo uma boa definição para a infortunada arte da guerra: “Partes em busca de pão e regressas com uma perna amputada”.
O álbum inclui ainda um caderno de extras, com um artigo de Jean Hatzfeld (jornalista e correspondente de guerra na Bósnia Herzegóvina nos anos 1990) e várias aguarelas de Bastien Vivès.











Sem Comentários